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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 170

Cap.169

Enquanto William se preparava para assumir as responsabilidades ao lado de seu pai, a manhã se aproximava como uma marcha fúnebre para todos, agitados e ansiosos por respostas.

E, em outro lugar, sem nem saber que tinha sido transportada novamente, Selene abria os olhos.

A consciência voltou lentamente, filtrada por um brilho dourado e ofuscante.

Selene abriu os olhos com dificuldade, as pupilas se contraindo contra a invasão de luz, denunciando que já era manhã — mas que sua prisão já não era mais a mesma.

O teto acima era alto, branco e imaculado, ornamentado com delicados relevos de gesso que se entrelaçavam como galhos de uma árvore.

O ar cheirava a flores frescas e a um perfume suave e caro — caro demais para ser um lugar simples.

Ela estava deitada numa cama enorme e macia, envolta em lençóis de algodão egípcio, de um branco que parecia irradiar luz própria.

Sentou-se lentamente, uma confusão profunda ancorando seus movimentos. A última memória clara era do frio do parapeito, do uivo do vento, da decisão sombria e absoluta. Depois… escuridão. Um impacto. Cheiro de mofo. E agora… isto.

Olhou ao redor. O quarto era vasto, decorado com um luxo discreto e avassalador. Tons de bege, marfim e ouro.

Móveis de madeira clara e linhas elegantes. Uma grande janela panorâmica, que ocupava quase toda uma parede, revelava um jardim impecável lá embaixo — um tapete verde meticulosamente cuidado sob um céu azul intenso. Parecia um sonho. Ou o céu.

“Onde estou? Como vim parar aqui?”, a pergunta ecoou, sem resposta, em sua mente atordoada.

Foi quando percebeu que não estava sozinha.

Alinhadas perto da porta, silenciosas e imóveis como estátuas, estavam três mulheres. Vestiam uniformes impecáveis de cor cinza-claro, os cabelos presos em coques perfeitos. Seus rostos eram neutros, profissionais.

Assim que Selene as fixou com o olhar, a do centro fez uma leve reverência.

— Bom dia, senhora. Estamos aqui para servi-la — disse, a voz suave e melodiosa.

Selene engoliu em seco, e sua garganta arranhou.

— Onde… onde eu estou?

— O chefe nos instruiu a cuidar de sua estadia com o máximo conforto — respondeu a mesma mulher, sem realmente responder.

A segunda acrescentou:

— Trouxemos uma seleção de roupas. Todas novas, de seu tamanho. O banho está preparado.

— Que chefe? Quem é ele? — a voz de Selene saiu mais áspera do que pretendia, carregada de uma ansiedade crescente.

As três mulheres apenas sorriram — um sorriso polido e vazio.

— Quando você estiver pronta, senhora.

Ela percebeu que não obteria respostas dali.

Um cansaço profundo, mais emocional do que físico, a fez aquiescer.

Levantou-se, envolvida no roupão de seda que já estava sobre ela, e seguiu a indicação silenciosa para uma porta lateral.

O banheiro era uma extensão do luxo do quarto. Mármore branco, veinado de ouro. Uma banheira enorme, embutida, já cheia de água fumegante e coberta de pétalas de rosas brancas.

O contraste com o cativeiro sujo e frio onde despertara brevemente era tão violento que a deixou tonta. Como podia ter ido daquela escuridão para esta claridade?

Entrou na água sem hesitar, apenas seguindo o curso, sem saber o que pensar, e deixou-se afundar até o queixo.

As pétalas dançavam ao seu redor. O vapor subia, embaçando os espelhos. E então, sozinha naquela cápsula de calor e silêncio, as barragens romperam.

As lágrimas vieram em silêncio, rolando quentes pelo seu rosto para se misturarem à água da banheira.

Por que não morri? A pergunta martelava. Por que alguém me impediu?

Um flash — braços fortes a puxando para trás, um rosto borrado… Por um instante, na confusão, pensou ter visto os traços de Adon. Mas era impossível.

Adon não estava lá.

Adon estava… onde? Buscando a irmã morta? A namorada incestuosa?

A noção a fez chorar com mais força.

Então, lembrou-se da conversa da noite anterior como um borrão.

Passou mais de uma hora imóvel, deixando a água esfriar, revivendo cada palavra, cada toque, cada olhar. A descoberta no cemitério. A fuga. O desespero no parapeito. O sequestro. Omar. A verdade sobre sua mãe.

Sobre o colar.

Sobre a família que a abandonou e depois a caçou.

Quando a água ficou fria, ela saiu, o corpo enrugado e trêmulo.

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