Cap.166
Axel procurou por ela ao redor, ela tinha sumido tão rápido que ele ficou ate mesmo atordoado com aquela velocidade.
Ate que recebeu uma mensagem de atila.
Esta tudo bem, deixe ela ir, vai ser melhor a gente contar a Adon primeiro o que esta acontecendo. — ele apenas assentiu com um suspiro e voltou ao cemitério.
Enquanto isso A noite na praça deserta era fria e absoluta.
Selene cambaleou até um banco de concreto e caiu sobre ele, o corpo pesado como se fosse feito de chumbo. As lágrimas haviam secado, deixando apenas um ardor salgado e uma náusea profunda, visceral.
A mente dela, um turbilhão minutos antes, agora era um deserto varrido por um vento cortante de lembranças.
Cada toque de Adon. Cada beijo. Cada sussurro no escuro. Cada momento de intimidade que a fizera sentir-se amada, desejada, viva.
Agora, essas memórias se retorciam como vermes sob a luz cruel da verdade. Ela via suas próprias mãos tocando o rosto dele, os dedos dele entrelaçados nos seus, os corpos deles se fundindo na escuridão… e um enjoo tão violento a atingia que ela se curvou, engasgando, sem conseguir vomitar nada além de ar e horror.
"Meu irmão." As palavras ecoavam, secas e mortais.
Ela havia se entregado ao próprio irmão. Havia amado, desejado, sido possuída por ele. A sensação de sujeira era tão avassaladora que parecia impregnar sua pele, seus ossos, sua alma. Um grito silencioso rasgou seu peito, uma agonia muda que não encontrava saída.
De um carro preto e discreto estacionado na sombra de uma rua lateral, dois pares de olhos observavam.
— Parece que a verdade finalmente a alcançou — comentou Mathias, um sorriso fino nos lábios. — Era só uma questão de tempo.
— E veja só o estrago — outro homem ao seu lado murmurou, seus olhos velhos e calculistas brilhando com um prazer sombrio. — Ela está em guerra consigo mesma. O nojo, o horror… perfeito. Está se despedaçando por dentro porque se envolveu com quem acreditava ser o irmão.
Mathias riu, um som baixo e desagradável.
— A ironia é deliciosa. Mas o Adon nem é irmão dela de verdade, não é? Tecnicamente…
— Ela não sabe disso — Omar cortou, o sorriso se alargando. — E é essa a beleza. Alex Felix, o grande patriarca, teve a filha de volta e não teve coragem de contá-la. Preferiu jogá-la num labirinto de meias-verdades. Agora, a ignorância dela vai ser a ferramenta que vai fazê-lo se arrepender amargamente de cada segundo de hesitação. E eu… eu vou me aproveitar de cada lacuna na memória dela.
Selene, na praça, ergueu-se do banco como um autômato. A dor era grande demais para ficar parada.
Seus pés a levaram para longe, sem destino, guiados apenas pelo instinto cego de fugir da própria pele.
Ela caminhou por ruas vazias, subiu ladeiras, até se encontrar diante de um prédio comercial antigo, de portas envidraçadas escuras. Sem pensar, empurrou a porta lateral, que cedeu com um rangido.
As escadas de concreto ecoavam com seus passos vacilantes. Subiu. Um andar. Dois. Cinco. A respiração arfava, mas a dor no peito era maior que a queima nos pulmões. Ela empurrou a pesada porta de acesso à cobertura.
O vento lá em cima era um furacão gelado. A cidade se estendia abaixo, um tapete de luzes cintilantes e indiferentes. Selene caminhou até a borda, o coração batendo como um pássaro aterrorizado contra uma gaiola de aço. Olhou para o abismo, para a promessa de silêncio e escuridão absoluta.
— Por quê? — sussurrou para o vazio, a voz sumindo no vento. — Por que o destino sempre faz piadas comigo? Nasci, fui roubada, me tornei outra, me uni a um segredo… e agora isso. Como eu vou viver depois do que eu fiz? Como eu vou olhar no espelho? Como vou apagar a sensação dele… das nossas… — um soluço a cortou. — Com meu próprio irmão… Nem sequer me lembrava dele. Era apenas um vazio… um rosto perdido na fumaça. E era ele. Sempre foi ele.
A agonia deu lugar a uma clareza terrível e calma. Uma paz macabra.
— Eu não vou viver com isso — ela disse, a voz agora firme, decidida. — Não vou.
Sem hesitar, sem um último olhar para trás, ela subiu no parapeito de concreto. O vento uivou mais forte, enrolando-se em seu vestido negro, como se tentasse puxá-la para trás. Ela fechou os olhos.
E se inclinou para frente e jogou seu corpo para frente com tudo.
Mas o impacto com o chão não veio. Em vez disso, um par de braços fortes a envolveu com força brutal, arrancando-a do parapeito no último milésimo de segundo.
Um golpe seco e preciso atingiu a lateral do seu pescoço. Uma dor aguda, e depois… o nada.
Enquanto isso do outro lado da cidade agora o clima estava ainda mais tenso também.
O ambiente na sala de luxo, com sua mesa de jacarandá polida e vista panorâmica, parecia uma ironia cruel diante da tensão que a preenchia. Alex Felix estava de pé, ansioso, seus dedos tamborilando incessantemente na superfície lisa. Átila e Axel haviam trazido Adon, cujo rosto ainda carregava a confusão e a preocupação raw da noite no cemitério.
— Onde ela foi? — foram as primeiras palavras de Adon, dirigidas mais a si mesmo. — Ainda acho que deveria ter ido atrás dela.
— Não consegui a interceptar, mas como da outra vez, ela deve ter ido chorar em algum lugar e depois vai para casa.
— Ela não deveria ter descoberto isso dessa forma, Adon — Átila disse, sua voz contida, trocando um olhar rápido com Alex.
— Não faz sentido! — Adon explodiu, esfregando o rosto. — A reação dela… foi desproporcional. Simone era apenas uma amiga de infância dela. Uma tragédia, sim, mas… essa repulsa? Esse horror? Eu não entendo.
Átila respirou fundo, assumindo a frente da conversa mais difícil de sua vida.
— Adon, senta. Precisamos te contar algo. Sobre aquele dia. O dia do incêndio.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!