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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 168

Cap.167

— Selene? — Katleia repetiu. — Ela não está com você? Ela não voltou para cá?

O ar pareceu sair dos pulmões de Adon. O rosto de Katleia, sempre tão astuto, mostrava apenas perplexidade e uma preocupação que começava a se transformar em medo.

— Ela não chegou aqui? — Axel perguntou, tenso.

— Não! Nós achamos que ela estava com ele! — Gildete exclamou, os olhos se enchendo de lágrimas ao apontar para Adon. — O que aconteceu? Onde ela está?

Adon não respondeu. Virou-se e saiu correndo em direção ao carro.

O próximo destino foi o orfanato das freiras. A Madre Clara, surpresa com a visita noturna do agora conhecido Presidente Felix e seus irmãos, confirmou com tristeza que Selene não aparecera por lá. Não houve tempo para explicações. Adon não tinha tempo.

A busca se espalhou pela cidade. Carros da segurança Felix, discretos, porém eficientes, percorreram ruas, becos e os locais que ela costumava frequentar.

Nada. Selene parecia ter virado fumaça.

— Vamos ter calma — sugeriu William. — Sei que é irmã de vocês, mas, se não a encontramos, estou quase certo de que ela está nas mãos de Omar. E se ele a pegou, a coisa fica mais complicada, porque ninguém conseguiu descobrir onde realmente Omar vive em todos esses anos.

— Então, em vez de rondar a cidade, temos que jogar com inteligência e investigar os pontos onde Omar dá as caras. Orfanatos, boates… Ele nunca aparece, sempre age por meio de homens — Átila sugeriu, atônito.

— Não importa como ele trabalhe! Eu sei exatamente o que ele quer. Na pior das hipóteses, eu cedo. Mas antes… vamos encontrar outro jeito — Adon concluiu, tentando manter a calma.

— Ok… não vamos perder Simone mais uma vez. Somos adultos agora — Axel disse, enquanto Adon sentia calafrios só de ouvir o nome de alguém que estava morta havia tanto tempo se tornando novamente o centro da vida deles.

Enquanto isso…

Quando a consciência voltou, foi de forma fragmentada.

O cheiro de mofo e desinfetante barato. A sensação de um piso frio de concreto sob suas costas. Uma dor latejante no ombro e no pescoço.

Selene abriu os olhos.

Estava em um cômodo escuro, quase vazio, iluminado por uma única lâmpada pendente.

A porta era de metal, sem maçaneta do lado de dentro. Ela tentou se sentar, e um surto de pânico a envolveu quando percebeu que estava presa.

— Acordou, querida? — a voz era suave, educada, e veio da sombra perto da porta.

Omar saiu da penumbra, seguido por Mathias, que se apoiou na parede com um ar de tédio. Omar usava um sobretudo caro, mas seu rosto permanecia oculto.

— Que coisa dramática, não? Pular de um prédio. Que desespero tão… profundo.

Ele se aproximou, agachando-se para ficar à sua altura. Selene recuou, encolhendo-se contra a parede.

— A verdade dói tanto assim, Simone?

Ela estremeceu ao ouvir o nome. O nome verdadeiro.

— Não… não me chame disso.

— Por que não? É quem você é. Simone Felix. A ovelha perdida do rebanho de Alex. A filha que ele trocou por um punhado de poder e depois abandonou à própria sorte — Omar falava calmamente, como se discutisse o clima. — E agora, para completar a tragédia grega, se envolve romanticamente com um dos irmãos. Que confusão, não acha?

— Ele não é meu irmão! — a defesa saiu automática, um grito do seu desespero. — Eles não são nada para mim!

Omar ergueu uma sobrancelha, surpreso e divertido.

— Ah, mas é aí que você se engana, minha cara. Ele é. Legalmente, emocionalmente, para todos os efeitos… Adon Felix é seu irmão. Criados como tal. Amados como tal. E você se deitou com ele. Várias vezes, pelo que meus informantes relatam. Deve ter sido… intenso.

Cada palavra era uma tortura calculada. Selene levou as mãos aos ouvidos.

— Pare! Por favor, pare!

— Eu não sou seu inimigo, Simone — Omar disse, baixando a voz para um tom quase gentil. — Seu inimigo é a família que você tem. Alex, que não teve coragem de lhe contar quando descobriu isso. Adon, que a ama como mulher, mas venera uma irmã morta. Imagine como ele vai ficar ao saber que profanou o que mais adorava. Eles a prenderam numa teia de mentiras. Eu… eu só estou te libertando dos fios.

Ele se levantou, tirando um objeto do bolso. Era o colar. A esmeralda em forma de lágrima brilhou sob a luz fraca. Selene sentiu um puxão no peito, uma atração misturada com repulsa.

— Isso pertencia à sua mãe. É o irmão de outro colar que está com os Felix. Um te pertence, e o outro a ela. A mulher que Alex deixou morrer para proteger seu império. E depois colocou a filha no orfanato para escondê-la… mas esqueceu-se de buscá-la. Deixou você lá para ser criada como indigente, enquanto outra menina, uma órfã qualquer, era enterrada com seu nome e sua herança simbólica.

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