Cap. 156
A algumas distâncias, escondidos atrás de uma árvore, Átila e Axel observavam.
Tinham visto a cena inteira. A conversa, a confissão de Mima, o colapso de Selene, a fuga.
Axel soltou um longo assobio, baixando os binóculos.
— Caralho. Então é isso. Confirmado na lata. E com direito a flashback traumático.
Átila, ao volante, estava imóvel, os olhos fixos na figura diminuta e desesperada de Mima, que agora se encolhia contra o túmulo, os ombros sacudindo em soluços silenciosos.
— Neste momento — Axel disse, pegando o celular —, vou solicitar a troca da lápide. Não tem mais por que manter essa farsa. Em pelo menos um mês, até o DNA e a papelada se resolverem oficialmente, mas… está na hora de enterrar quem realmente morreu. E desenterrar a nossa irmã.
Átila não respondeu de imediato. Continuou observando Mima. A raiva que sempre nutrira por ela — pela sua maldade, sua manipulação — ainda estava lá, um caroço quente no peito.
Mas agora, misturado a isso, havia outra coisa. A visão daquela mulher destroçada, guardando sozinha um segredo tão pesado por anos, implorando anualmente por um direito básico de luto… era desarmante.
— Mima… — Átila murmurou, mais para si mesmo. — Esse tempo todo. Não sei dizer se ela é vítima ou vilã. É a pessoa mais complicada com quem já lidei. Ela sempre soube que Selene tinha esses problemas de memória e guardou isso, mas também… poderia até se sair como mentirosa.
Axel olhou para ele, um sorriso cético nos lábios.
— Tá com pena agora?
Átila virou a cabeça, o rosto se fechando novamente. A dúvida foi banida, substituída pela lembrança das ações cruéis.
— Nunca — ele cuspiu, a voz gelada. — Ela ainda fez muita coisa contra a Selene… contra a Simone. Quase a matou. Manipulou, mentiu, tentou destruir o casamento dela. Sabendo de tudo. Não, não tem perdão. Ser uma vítima também não te dá o direito de virar carrasco. Ela podia ter resolvido as coisas de outro jeito. Ser loira não significa ser burra.
Eles a observaram por mais alguns segundos, até que Mima se deitou sobre o túmulo, ainda balbuciando, e então se retiraram.
— Vamos atrás da Simone — Átila ordenou, o tom voltando ao pragmatismo. — Ela correu para o lado leste. Está em choque. Não pode ficar sozinha agora.
Enquanto o carro se afastava, deixando Mima sozinha com seu luto e sua culpa diante do túmulo errado, a verdade, finalmente liberta, começava seu trabalho de demolição.
E, para Simone Felix, outrora Selene, a fuga era apenas o primeiro passo de um desmoronamento que prometia engoli-la na avalanche de memórias que estava por vir.
Eles a encontraram andando, seguiram-na até ela pegar um táxi e se certificaram de que chegara em casa em segurança.
Ali, dentro das paredes familiares, o ar cheirava a poeira doméstica e à mentira sobre a qual sua vida havia sido construída.
Ela estava exausta até os ossos. Os olhos, vermelhos e inchados, ardiam. Cada passo era um esforço.
Tudo o que queria era escorregar para a escuridão do quarto e deixar que o desespero a consumisse, talvez para sempre.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!