— Guilherme.
Beatriz olhou para a chave em sua mão, sua voz tão suave que parecia estar falando durante o sono.
— Me leve para a velha mansão.
— Eu quero ver o que a mãe enterrou.
— Se eu não for, eu nunca... nunca conseguirei descansar em paz.
Antiga Mansão Andrade.
A velha árvore de sophora estava solitária no canto do quintal, com seu tronco grosso e folhas exuberantes, lançando uma sombra gigantesca na noite.
A chuva ficou mais forte.
Guilherme segurava um guarda-chuva preto, protegendo a cabeça de Beatriz, enquanto a outra mão segurava uma pá.
— Tem certeza que quer cavar?
Guilherme olhou para Beatriz, com o cenho franzido. — Para esse tipo de trabalho braçal, eu posso chamar os guarda-costas.
— Não.
Beatriz balançou a cabeça. — Eu mesma quero fazer isso.
Eram as coisas que a mãe dela havia deixado.
Guilherme não disse mais nada.
Ele colocou o cabo do guarda-chuva na mão de Beatriz, arregaçou as mangas e pegou a pá para começar a cavar.
Cerca de dez minutos se passaram.
"Clang—"
A pá bateu em algo duro, emitindo um som surdo.
Guilherme se agachou, afastou a terra ao redor com as próprias mãos e puxou uma caixa de ferro enferrujada do fundo do buraco.
A caixa não era grande e parecia realmente ter alguns anos, e a fechadura já estava completamente enferrujada.
— Me dá.
Beatriz jogou o guarda-chuva longe, nem se importando que a chuva molhasse suas roupas, e quase se jogou para pegar a caixa.
Ela tirou a chave e, com as mãos trêmulas, tentou inseri-la na fechadura.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico