— Lucas, eu vou processar você! Você não cuida do seu pai idoso! Vou fazer a mídia expor você! — Felipe esbravejava inutilmente no telefone.
— Faça o que quiser.
Após dizer isso, Lucas desligou diretamente a ligação e em seguida bloqueou o número.
Durante todo o processo, ele sequer franziu a testa.
Beatriz mordia os talheres e, pela primeira vez, olhou direito para esse irmão.
— Cruel. — Ela avaliou.
— Aprendi com você. — Lucas continuou a comer. — Tratar cachorro louco não adianta com conversa, a única forma é ser mais louco que ele.
Nesse momento, Beatriz inesperadamente viu um traço do que deveria ser uma "família" naquele homem sempre frio.
Um mês depois.
A crise do Grupo Guimarães foi completamente resolvida pela mão de ferro de Guilherme e pelo suporte técnico da Vésper Sistemas.
Yasmin, após ver o relatório do histórico psiquiátrico familiar de Isabel trazido por Lucas, finalmente calou a boca e até começou a enviar suplementos de várias formas para Beatriz.
Na tarde de fim de semana, a luz do sol estava perfeita.
Beatriz estava aparando os galhos das flores no pequeno jardim quando Lucas chegou.
Ele tinha nas mãos um envelope bem embalado.
— Para você. — Ele estendeu a mão.
— Bônus? — Beatriz tirou as luvas e brincou com um sorriso. — O salário deste mês nem saiu ainda e você já quer distribuição de lucros?
— Não é dinheiro.
Lucas desviou o rosto, meio desconfortável. — Abra e veja.
Beatriz abriu o envelope com curiosidade.
Dentro havia uma foto.
Pelo fundo, devia ser no interior há muitos anos.
Na foto, a jovem Verônica Guedes usava um vestido simples florido e estava de pé sob um pé de osmanthus.
Beatriz abraçou a foto, agachou-se no chão e chorou como uma criança.
Lucas ficou de lado, sem saber o que fazer.
Ele queria estender a mão e dar um tapinha no ombro dela, mas achou inadequado, e recolheu a mão no meio do caminho.
Guilherme apareceu, não se sabe quando, e abraçou Beatriz, que estava em prantos.
Ele acenou com a cabeça para Lucas, com um olhar de aprovação.
Beatriz chorou o suficiente nos braços de Guilherme antes de levantar a cabeça e olhar para Lucas com os olhos vermelhos.
A luz do sol atravessava as frestas das folhas e iluminava seu rosto.
Ela fungou o nariz, e os cantos da boca se ergueram em um grande arco. Era um sorriso que vinha do fundo do coração, sem nenhuma guarda ou cálculo.
— Obrigada, Lucas.
Essa foi a primeira vez que ela o chamou de "Lucas" do fundo do coração desde que voltou para a família Andrade há tantos anos.

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