Guilherme estendeu a mão, cobriu o topo da cabeça de Beatriz e esfregou suavemente.
— Boba.
Sua voz era profunda e encorpada, carregando uma força tranquilizadora.
Ele a puxou para cima, colocando-a sentada em seu colo, e encostou a própria testa na dela.
— Que maldição? Isso é a desculpa que os fracos inventam para a sua própria incompetência.
— Se você é uma pé-frio, então eu sou um catador de lixo... Não, sou um astronauta especializado em recolher estrelas.
Beatriz soltou uma risada, com lágrimas ainda penduradas nos cantos dos olhos: — Quem se compara a um catador de lixo?
— Desde que eu possa recolher você, ficaria feliz até em ser um mendigo.
Guilherme beijou o canto dos olhos dela, e seu olhar tornou-se extremamente sério. — Beatriz, não se importe com o que aqueles velhos teimosos dizem. Sou eu quem dá a última palavra no Grupo Guimarães.
— Quanto à linhagem...
Um brilho de ferocidade cruzou os olhos de Guilherme. — Se isso é uma maldição, então eu a carrego. Você só precisa seguir em frente, fazer as pesquisas que quer fazer, se dedicar à carreira que quer seguir. Os monstros e demônios que restarem, seu marido mata por você.
Beatriz abraçou o pescoço dele com força, absorvendo avidamente o cheiro de tabaco e hortelã dele.
— Guilherme Guimarães, foi você quem disse. Se um dia você não aguentar...
— Esse dia não vai chegar.
Guilherme mordeu os lábios dela, bloqueando todas as suas inseguranças.
— Bip—
O telefone fixo na mesa do escritório tocou.
— Telefone...
Beatriz o empurrou, corada.
— Não ligue para ele.
Ele se inclinou para beijá-la.
— Sr. Guilherme, — A voz de Bruno saiu do aparelho, — Lucas Andrade chegou.
— Não tenho interesse em me importar se eles vivem ou morrem.
Sua voz era muito plana, sem transparecer nenhuma emoção. — Voltei para pagar uma dívida.
Beatriz deu uma olhada no documento; era um projeto de arquitetura de algoritmos de alto nível.
— Pagar uma dívida? — Ela sorriu levemente. — Você me deve dinheiro?
— Te devo uma vida, e também um pedido de desculpas.
Lucas olhou para ela, e foi a primeira vez que seus olhos mostraram alguma flutuação. — Cinco anos atrás, quando a Larissa te empurrou na água, na verdade, eu vi.
Naquele inverno, a água do lago era gelada de doer os ossos. Ela gritou por socorro por muito tempo, mas ninguém lhe deu atenção. Mais tarde, foi um jardineiro que passava quem a tirou de lá. Por causa disso, ela teve febre alta por uma semana e quase evoluiu para pneumonia.
Enquanto a família Andrade só se preocupava em consolar a Larissa que havia levado um "susto".
— Eu estava no escritório do segundo andar, vi muito claramente, foi ela quem te empurrou. — Lucas baixou os olhos. — Mas não disse nada. Porque, na época, achei que era melhor evitar problemas. Eu só precisava cuidar dos meus estudos, as bagunças da família não tinham nada a ver comigo.
— Depois você se casou com Heitor Monteiro, e eu achei que a família teria paz. Não imaginava que...
Chegando a este ponto, Lucas fez uma pausa, respirou fundo e olhou para o imponente prédio do Grupo Guimarães do outro lado da rua.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico