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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 357

Na sala reservada da cafeteria, havia um aroma suave de chá de jasmim no ar.

Quando Beatriz abriu a porta e entrou, viu uma mulher usando um vestido longo sentada à janela.

A mulher estava muito bem cuidada. Embora houvesse leves rugas nos cantos de seus olhos, ela tinha um temperamento gentil, e cada um de seus gestos exalava a classe de uma senhora de família tradicional.

No entanto, no momento em que a mulher se virou, Beatriz ficou surpresa.

— Srta. Andrade, por favor, sente-se. — Silvana percebeu a confusão nos olhos de Beatriz, mas não se surpreendeu; apenas deu um sorriso leve e fez um gesto indicando o lugar.

Beatriz se sentou, ainda com os olhos em alerta: — Qual é a sua relação com a Larissa?

— Nenhuma.

Silvana, com um movimento elegante, serviu-lhe uma xícara de chá. — Se for para dizer, acho que sou... uma rival da mãe dela, a Isabel? Ou, melhor dizendo, alguém que veio antes dela?

Beatriz franziu a testa: — O que você quer dizer?

— Eu sou uma ex-amante que ficou com o seu pai por um breve período, um ano após a morte da sua mãe.

Quando Silvana pronunciou a palavra "amante", não demonstrou vergonha alguma, exibindo, ao invés disso, um certo cinismo de quem já compreendia o mundo: — Na época, a Isabel ainda não havia entrado para a família; o Felipe dizia a todos que era viúvo. Eu fui enganada por ele.

As dívidas amorosas de seu pai ela já conhecia muito bem.

Mas não esperava que essa mulher a procurasse por vontade própria.

— O que você quer de mim? Se você quer relembrar o passado ou interceder pela família Andrade, já pode ir embora. — Beatriz respondeu friamente.

— Interceder?

Silvana riu suavemente. Ela tirou da bolsa uma caixa de ferro enferrujada e a empurrou na direção de Beatriz: — Eu quero que ele morra, por que eu intercederia por ele?

Beatriz olhou para a caixa de lata.

A caixa era velha, ainda estampava aquele desenho de biscoitos antigos, e as bordas já estavam descascando.

— O que é isso?

— Coisas da sua mãe.

Silvana suspirou, o olhar se tornando um tanto complexo: — Quando descobri que o Felipe estava com os pés em duas canoas e que, na verdade, já tinha uma filha com a Isabel, eu decidi ir embora. Mas antes de partir, roubei isso do cofre no escritório do Felipe.

Parte A: Felipe Andrade.

Parte B: Verônica Guedes.

O conteúdo era chocante: [Eu, Felipe Andrade, renuncio voluntariamente à guarda da minha filha Beatriz Andrade; e não assumirei qualquer responsabilidade sobre sua vida ou morte...]

A data de assinatura era do terceiro dia após o seu nascimento!

Beatriz sentiu uma rajada de frio subir das solas dos pés até o topo da cabeça.

— Ele... já queria se livrar de mim há muito tempo? — A voz de Beatriz tremia.

Ela sempre achou que seu pai apenas dava mais valor a filhos homens e, simplesmente, não gostava dela.

Ela nunca imaginaria que, desde o momento em que nasceu, ele queria que ela desaparecesse para sempre!

— E não era só querer se livrar de você.

Silvana tomou um gole de chá, a voz cheia de mistério: — Felipe sempre foi muito supersticioso. No passado, um vidente disse que o que a sua mãe estava gerando era um "azar" que traria a morte para ele e destruiria a fortuna da família Andrade. Por isso, desde quando você ainda estava na barriga, ele já estava planejando como te matar, ou como te mandar para bem longe.

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