O dia em que saiu a sentença de Miguel foi chuvoso.
Quinze anos de prisão.
Miguel chorou e escorreram os fluidos no tribunal, gritando "Priscila, você vai ter uma morte horrível!".
Mas o destino de sua vida já estava traçado.
Uma semana depois, na sala de visitas da prisão.
O terceiro filho da família Andrade, Lucas, voltou do exterior.
Ele era um intelectual altamente educado e a única pessoa na família Andrade que parecia um pouco "normal".
Através do vidro grosso, Lucas olhava para o segundo irmão lá dentro, de cabeça raspada e olhar vazio.
— Irmão, se comporte aí dentro.
Lucas suspirou e aconselhou: — A casa da família foi confiscada pela justiça, e o pai sumiu. O irmão mais velho... está mentalmente instável. Eu planejo imigrar para os Estados Unidos, não voltarei mais.
— O que você disse?!
Miguel se atirou contra o vidro, com as veias saltadas. — Você quer fugir? Por quem eu acabei assim? Ah? Lucas, seu covarde! Você veio aqui para rir da minha cara, né? Suma! Sumam todos daqui!
Ele rugia, levantando-se e socando o vidro histericamente.
Os guardas prisionais correram, o seguraram com força e o arrastaram dali.
Lucas observou o irmão ser arrastado, sem nenhuma emoção no olhar.
Quando saiu pelos portões da prisão, a chuva lá fora havia parado.
Ele pegou o celular, hesitou por um longo tempo e enviou uma mensagem de texto para Beatriz.
Apenas algumas palavras.
[Me desculpe.]
Enviado com sucesso.
E então, um ponto de exclamação vermelho acendeu.
[A mensagem foi enviada, mas foi rejeitada pelo destinatário.]
Lucas olhou para o ponto de exclamação vermelho e deu uma risada de autodepreciação.
É verdade.
Guilherme beijou a testa dela. — Esposa, já que a maioria das pessoas irrelevantes já foi eliminada, não está na hora de pensarmos nas nossas prioridades?
— Que prioridades?
— Você prometeu para a avó. — As mãos de Guilherme vagaram descaradamente pela cintura dela. — Que ia dar um bisnetinho para ela brincar.
— Guilherme! Estamos no escritório!
— Tudo bem, o isolamento acústico é bom.
— Hum...
Mas... os momentos felizes duram pouco.
Naquela mesma noite, surgiu uma manchete entre os assuntos mais comentados envolvendo Beatriz.
Com um pedaço de maçã na boca, Beatriz encarava a tela do computador com a testa franzida.
Na tela, um velho estrangeiro de cabelos loiros e olhos azuis discursava com eloquência para a câmera. O título ocupava quase metade da tela:
**[O famoso estudioso Wilson acusa a engenheira-chefe da Vésper Sistemas, Beatriz Andrade, de falsificar dados em sua pesquisa! Terremoto no mundo acadêmico!]**
Beatriz conhecia aquele velho; o nome dele era Wilson. Eles haviam se encontrado duas vezes em conferências acadêmicas no exterior. Ele era o típico "picareta acadêmico", vivendo de sua antiga fama para arrancar verbas de pesquisa por toda parte. Ela não esperava que ele esticasse suas garras para o país dela.

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