— Sra. Guimarães.
O olhar de Beatriz esfriou.
Ela podia tolerar mal-entendidos, mas não podia tolerar insultos ao seu caráter.
— Eu respeito a senhora por ser mãe de Guilherme, por isso sentei aqui para ouvir suas asneiras.
— Eu não pude escolher minha família, mas meu caminho na vida fui eu quem trilhei.
— Cada cicatriz no meu corpo é uma prova da minha inocência.
— Quanto a Guilherme... — Beatriz levantou-se, olhando para Yasmin de cima.
— Não sou eu quem não consegue deixá-lo, é ele quem implora para que eu fique.
— Você! Sua víbora! — Yasmin tremia de raiva, pegou a xícara de chá à sua frente e a atirou na direção de Beatriz.
Um estrondo alto ecoou.
A porta da sala reservada foi arrombada com um chute.
A folha da porta bateu na parede com tanta força que lascas de tinta caíram.
Guilherme estava na porta, emanando uma aura hostil.
Ele entrou a passos largos e puxou Beatriz para trás de si, protegendo-a.
O chá quente atingiu as costas de seu terno.
O líquido fervente encharcou o tecido.
Mas ele nem sequer gemeu, apenas virou a cabeça e encarou Yasmin fixamente.
— Mãe, parece que a senhora não ouviu nenhuma palavra do que eu disse da última vez.
A voz de Guilherme era gélida.
Yasmin ficou assustada com o olhar do filho; a xícara caiu de sua mão e se estilhaçou no chão.
— ...Guilherme, escute a explicação da mamãe...
— Mamãe fez isso para o seu bem! Essa mulher é muito dissimulada...
— Cale a boca!
Guilherme gritou violentamente.
Ele se virou, verificando com aflição se Beatriz tinha se queimado.
Ao confirmar que ela estava bem, voltou a olhar para Yasmin.
Seu olhar estava cheio de decepção.
— Mãe, a senhora sempre me perguntou por que tinha que ser ela, não é?
— A senhora sempre achou que ela não era digna da família Guimarães, certo?
Guilherme fez uma pausa, os lábios tremendo levemente. Fechou os olhos e continuou com dificuldade.
— A senhora se lembra daquele inverno, quando alguém me sequestrou para tentar me forçar a entregar as ações da família Guimarães?
Yasmin assentiu inconscientemente.
Guilherme olhou para trás, para Beatriz, com os olhos vermelhos.
— Só aquela garota percebeu que eu tinha desaparecido e foi me procurar de propósito.
— Aqueles homens pegaram facas para matá-la.
— Para atrair os sequestradores para longe de mim, ela pulou do segundo andar.
Yasmin cobriu a boca, chocada.
Guilherme nunca tinha contado os detalhes daquele incidente.
— Naquela poça de lama cheia de sangue, eu jurei que nunca iria decepcioná-la nesta vida.
Guilherme ergueu a caneta, e seu olhar pousou em Beatriz atrás dele.
O gelo em seus olhos derreteu instantaneamente.
— Aquela pessoa era a Beatriz.
Yasmin olhou para Beatriz, incrédula.

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