A voz de Beatriz era sincera e fervorosa.
A Velha Senhora olhou para a pulseira de contas e depois para as mãos de Beatriz, cheias de ferimentos.
Seus olhos ficaram subitamente úmidos.
Ela viveu oitenta anos, que coisas boas ela não tinha visto?
As pessoas davam presentes por aparência, por competição.
Só aquela menina deu de coração.
— Boa menina.
A Velha Senhora, com as mãos trêmulas, colocou solenemente a pulseira no pulso.
— Este é o melhor presente que a vovó já recebeu.
A Velha Senhora puxou a mão de Beatriz e deu tapinhas leves nas pontas dos dedos feridos.
— Dói?
Uma palavra simples.
Mas fez com que a força que Beatriz vinha mantendo desmoronasse instantaneamente.
Nesses mais de vinte anos.
Além de Guilherme.
Esta foi a primeira pessoa mais velha a perguntar se doía.
— Não dói.
Beatriz balançou a cabeça, mas as lágrimas não paravam de cair.
— Criança boba, como não doeria?
A Velha Senhora suspirou, tirou um lenço do bolso e enxugou pessoalmente as lágrimas de Beatriz.
Essa cena foi capturada com um "clique" por um repórter que tinha acabado de se espremer para dentro.
A imagem congelou.
A Velha Senhora de cabelos prateados, enxugando carinhosamente as lágrimas de uma jovem mulher com o rosto manchado de choro, mas de uma beleza de tirar o fôlego.
Ao lado, Guilherme olhava para as duas com os olhos cheios de adoração.
— De agora em diante, esta é a sua casa.
A Velha Senhora segurou a mão de Beatriz, depois puxou a mão de Guilherme e colocou as duas juntas.
— Se o Guilherme ousar te intimidar, venha contar para a vovó, que a vovó bate nele com a bengala!
— Ouviu bem, moleque?
Guilherme sorriu impotente e segurou a mão de Beatriz.
— Ouvi.
— Não dói mais.
Beatriz balançou a cabeça, encostou-se no banco e olhou para a paisagem noturna passando rapidamente pela janela.
Tudo o que aconteceu naquela noite parecia um sonho.
Ela nunca imaginou que um dia poderia ficar diante de todos com tanta dignidade.
— No que está pensando?
Guilherme voltou para o banco do motorista e ligou o carro.
— Estou pensando... se estou sonhando.
Beatriz virou a cabeça e olhou para o perfil de Guilherme.
— Guilherme, por que você é tão bom para mim?
— Eu sou daquele jeito... divorciada, com a família uma bagunça...
O carro parou bruscamente no acostamento.
Guilherme soltou o cinto de segurança, virou-se de lado, apoiou as mãos ao lado de Beatriz, prendendo-a naquele pequeno espaço.
— Beatriz, eu não permito que você se desvalorize assim.
Seu olhar era ardente e sério.
— Você é a única pessoa que parou para segurar um guarda-chuva para mim na tempestade.

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