— Tio Francisco, o que é isso...
Catarina perguntou em voz baixa.
— Esta é a conferência de lançamento de uma pesquisa revolucionária sobre a reconstrução do sistema autoimune.
A voz do Prof. Francisco carregava uma emoção mal disfarçada.
— Se for bem-sucedida, salvará milhões de pacientes com lúpus e leucemia.
— Este é um resultado digno de um Prêmio Nobel!
Catarina ouvia sem entender nada.
Lúpus?
Leucemia?
O que isso tinha a ver com ela?
Ela só se importava em saber onde estava aquela pobretona da Beatriz.
Ela olhou ao redor, tentando encontrar aquela figura miserável.
Mas, depois de varrer o local com os olhos, não a encontrou.
Foi então que as luzes do auditório diminuíram, e apenas um foco de luz iluminou o centro do palco.
A voz entusiasmada do apresentador ecoou:
— Agora, convidamos a responsável principal por este projeto, a cientista-chefe...
— Dra. Beatriz, para subir ao palco e apresentar o relatório!
Os aplausos foram estrondosos.
Catarina levantou a cabeça e olhou.
Viu uma figura saindo lentamente da coxia.
Ela usava um jaleco branco simples sobre uma camisa azul-marinho, o cabelo preso displicentemente em um rabo de cavalo baixo e óculos de aro dourado no rosto.
No entanto, quando ela parou sob aquele feixe de luz, estava de uma beleza estonteante.
Aquela beleza não era a vulgaridade da aparência, mas um brilho de sabedoria que irradiava de dentro para fora.
Serena, confiante, firme.
Catarina abriu a boca, incrédula.
Seu queixo quase caiu no chão.
Beatriz?
A Beatriz desprezada pela família Andrade, abandonada pela família Monteiro, chamada de amaldiçoada?
Ela era a cientista-chefe?!
— Impossível...
Catarina murmurou para si mesma.
— Deve ser um engano... será que é apenas o mesmo nome?
Ela pegou o celular apressadamente, abriu a câmera e tirou várias fotos da pessoa no palco.
Então deu zoom, e mais zoom.
Não havia dúvida.
Era aquele rosto.
— Sente-se!
Catarina sentiu-se injustiçada ao extremo.
— Tio Francisco, aquela mulher... aquela Beatriz, ela é uma fraude!
— Ela não entende nada disso! Ela é apenas uma mulher repudiada que foi expulsa de uma família rica!
— Ela subiu na vida através de homens!
A expressão do Prof. Francisco escureceu instantaneamente.
Ficou dez vezes pior do que antes.
— Cale a boca!
O Prof. Francisco rosnou baixo, com uma indignação incrédula na voz.
— Você sabe o que está dizendo?
— Eu já li a tese da Dra. Beatriz na revista The Lancet há muito tempo!
— Os modelos de dados contidos ali não poderiam ser feitos sem pelo menos dez anos de trabalho árduo!
— Ela viveu no laboratório por três anos inteiros para este projeto!
— Você diz que ela depende de homens? Isso é simplesmente absurdo!
— Ignorante!
O Prof. Francisco era um verdadeiro acadêmico e não tolerava que ninguém difamasse a ciência.
Catarina ficou atordoada com a bronca.
Ela nunca tinha visto o Prof. Francisco tão furioso.

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