Depois de dizer isso, ela contornou Catarina e fez menção de sair.
— Parada aí!
Catarina, exasperada, estendeu a mão para agarrar Beatriz.
Beatriz esquivou-se lateralmente.
Catarina agarrou o ar e quase caiu de cara no chão.
— Você ousa se esquivar?!
Catarina recuperou o equilíbrio, com o rosto retorcido de raiva.
— A tia Yasmin disse que, desde que eu consiga te expulsar, a posição de Senhora da família Guimarães será minha!
Ela tirou um cheque da bolsa, rabiscou uma série de zeros e o bateu com força no armário de sapatos ao lado.
— Aqui tem cinco milhões.
— Pegue o dinheiro, saia da Capital e nunca mais apareça na frente de Guilherme!
Beatriz olhou para aquele cheque leve.
De repente, ela sorriu.
A cena era familiar demais.
Anos atrás, Mirella fez a mesma coisa, jogando um cheque para ela e mandando-a abrir caminho para Larissa.
Naquela época, ela era ingênua, achava que sentimentos verdadeiros não podiam ser medidos por dinheiro, e rasgou o cheque.
O resultado foi ser enviada à força para a mesa de cirurgia por Heitor.
Agora, ela ainda achava que sentimentos verdadeiros não podiam ser medidos por dinheiro.
Mas aquele dinheiro não a insultava.
— Cinco milhões?
Beatriz pegou o cheque e deu um piparote nele.
— Srta. Catarina, você sabe qual é o patrimônio atual de Guilherme?
— Centenas de bilhões.
— Você me oferece cinco milhões para deixar um homem que vale centenas de bilhões?
— Você está menosprezando o Guilherme ou a si mesma?
Catarina ficou atônita.
Ela não esperava que aquela mulher, aparentemente frágil, tivesse uma língua tão afiada.
— Você! Você realmente está atrás do dinheiro!
Catarina gritou como se tivesse descoberto um segredo sujo.
— Eu sabia que você era uma interesseira!
Beatriz jogou o cheque de volta aos pés de Catarina com desdém.
— Dinheiro, eu tenho.
Diante do portão solene e imponente, a polícia militar mantinha-se em postura ereta.
Aquele era um local de pesquisa de nível nacional; cada centímetro de ar estava impregnado de rigor e sigilo.
Beatriz passou pela biometria e entrou sem problemas.
Mesmo tendo vindo muitas vezes, ela ainda sentia o coração acelerar.
Ali, ela não era a filha rejeitada da família Andrade, nem a ex-esposa de Heitor.
Ela era Beatriz.
Meia hora depois.
A Ferrari de Catarina parou na área proibida em frente ao instituto.
Ela havia verificado.
Hoje haveria algum tipo de conferência ali.
Beatriz certamente estava lá para fazer trabalhos braçais ou servir como recepcionista.
Afinal, que habilidade poderia ter uma mulher divorciada que foi expulsa de casa?
Ela iria desmascarar a verdadeira face de Beatriz na frente de todos.
Então, jogaria o dinheiro na cara dela e diria a todos que aquela era uma vagabunda que vendia a própria dignidade por dinheiro!
Só de imaginar a cena, Catarina sentiu um prazer imenso percorrer seu corpo.

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