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No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico romance Capítulo 113

Heitor levantou-se e, como se procurasse algum consolo, abriu uma gaveta há muito tempo fechada em seu escritório.

Era a gaveta que Beatriz costumava usar.

Após o divórcio, ele mandou retirarem todas as coisas dela, mas, por algum motivo que nem ele sabia explicar, deixou aquela gaveta intacta.

Dentro, havia apenas alguns poucos itens.

Uma caneta tinteiro que ela usava habitualmente, um livro técnico com as bordas desgastadas.

E também... escondida bem no fundo, uma pequena caixa de veludo.

A mão de Heitor tremia levemente ao pegar a caixa.

Ao abri-la, viu um par de abotoaduras de prata repousando silenciosamente.

O design era simples e elegante, bem ao estilo que ele gostava.

Ele se lembrou de que aquele foi o presente de Beatriz no primeiro aniversário de casamento deles.

Naquela época, Larissa tinha sido internada justamente por um "desconforto cardíaco".

Ele ficou no quarto de hospital de Larissa por um dia e uma noite inteiros.

Beatriz ligou para ele, mas ele não atendeu.

Mandou mensagens, e ele não respondeu.

Quando ele finalmente se lembrou do tal "aniversário" e voltou para casa, já era tarde da noite do dia seguinte.

Beatriz estava sentada na sala escura, tendo esperado por ele a noite toda.

Na mesa, a comida já estava fria, ao lado de um pequeno bolo.

Ao vê-lo chegar, os olhos dela brilharam por um instante, mas logo se apagaram.

Ela não perguntou nada, apenas lhe entregou a caixa.

— Feliz aniversário.

O que ele fez naquela ocasião?

Ah, ele apenas deu uma olhada de relance e jogou a caixa displicentemente dentro daquela gaveta.

Seu tom foi de indisfarçável repulsa e impaciência.

— Outra vez essas coisas baratas, Beatriz? Você não consegue ter um pouco de criatividade?

— Se tem tempo para isso, deveria aprender com a Larissa como ser uma mulher agradável.

Ele sequer abriu a caixa para olhar.

As mãos de Heitor tremiam ainda mais agora.

Ele pegou uma das abotoaduras e a virou.

— Beatriz, pare com esse teatro hipócrita.

— Casar comigo não é exatamente o que você queria? O que foi, agora vai bancar a dama virtuosa?

— Vou te avisar, não tente nenhuma gracinha. Se você ousar não casar, eu vou destruir financeiramente a família Andrade!

Do outro lado da linha, houve um silêncio mortal.

Depois, ouviu-se uma risada baixa dela, entrecortada pelo choro.

Naquela risada, havia uma desolação infinita e... resignação.

— Tudo bem... eu entendi.

Antes de desligar, ele pareceu ouvir um sussurro, leve como uma pluma.

— Então... é assim que você pensa de mim...

Heitor sentiu uma dor súbita no peito, tão forte que mal conseguia respirar.

Naquele casamento que parecia ter sido friamente calculado por ela, ela também havia lutado, também havia... pedido socorro a ele.

— Aaaaaah——!!

Heitor soltou um rugido e deu um soco violento na mesa de madeira maciça.

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