A cada pergunta de Beatriz, o rosto de Miguel ficava mais pálido.
Aqueles pecados que ele pensava estarem esquecidos foram expostos por ela, um a um, sob a luz do sol.
Não havia onde se esconder.
Beatriz levantou-se, recuperando aquela aura de distanciamento altivo.
— Seu pedido de desculpas não é porque você realmente reconheceu seus erros.
— É porque agora você descobriu que eu, a "fraca" que vocês pisoteavam, não sou inútil.
— Pelo contrário, sou mais forte do que vocês imaginavam.
— Você descobriu que eu posso obter facilmente as coisas que vocês tanto almejam, mas não conseguem.
— Então você sentiu medo. Você se arrependeu.
Ela soltou uma risada leve, cheia de sarcasmo.
— Esse tipo de arrependimento baseado em interesse, eu não preciso.
— E você, Miguel...
O olhar dela pousou no rosto dele, que misturava remorso e desespero, e então ela disse a última frase.
— Também não merece ser perdoado.
Dito isso, ela não olhou para ele nem mais uma vez. Virou-se e saiu da sala de visitas sem olhar para trás.
Deixando Miguel sozinho, paralisado no chão frio, como um cão que teve a espinha dorsal arrancada.
Era verdade.
Ele nunca havia confiado em Beatriz.
Desde o primeiro dia em que ela foi trazida de volta para a Família Andrade, ele a detestava.
Detestava aquelas roupas velhas e desbotadas, detestava aquele jeito silencioso e pobre, detestava aqueles olhos sempre cautelosos e distantes.
Ele achava que ela não era digna do sobrenome "Andrade".
Ela era uma estranha, uma intrusa.
Era... uma inimiga que poderia roubar tudo o que pertencia a eles a qualquer momento.
Por isso, não importava o que Larissa fizesse, aos olhos dele, era sempre inocente e adorável.
Enquanto Beatriz, até respirar era um erro.
— Beatriz, cheguei aqui embaixo.
— Hm, sem pressa, venha com calma.
— O que quer comer? Hoje vou te levar naquele bistrô exclusivo que abriu recentemente, pode ser?
Miguel congelou no lugar. Ouvir o murmúrio gentil daquele homem ao telefone fez seu coração parecer ter sido esmagado por uma mão invisível.
Beatriz...
Ele a chamou de Beatriz.
Era um tratamento íntimo que Miguel nunca havia pronunciado.
Logo, a figura familiar e ao mesmo tempo estranha saiu pelo portão do instituto.
Beatriz havia trocado o jaleco branco por um sobretudo bege simples, com os cabelos soltos sobre os ombros.
Sob a luz do sol, sua pele parecia quase transparente, e ela irradiava uma luz suave.
Ao ver o carro de Guilherme, o gelo em seus olhos derreteu instantaneamente.
Um sorriso leve, mas incrivelmente genuíno, surgiu em seus lábios.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: No Dia do Divórcio, Ele Me Trancou no Frigorífico