Nelson a soltou e pegou a pomada.
— Espera, eu vou passar.
As pálpebras de Franciele tremeram.
Imediatamente, ela arrancou a bisnaga das mãos dele.
— N-não precisa, eu mesma faço isso!
Dito isso, segurou a pomada e correu direto para o banheiro.
Nelson não a impediu nem insistiu em aplicar.
Embora achasse que, na relação atual dos dois, não haveria problema nenhum em ajudá-la com aquilo.
Mas mulheres às vezes ficam tímidas, então ele simplesmente deixou passar.
Ele sabia que não podia ter pressa.
Pressionar demais só faria com que ela fugisse ainda mais rápido.
Nelson também já tinha se perguntado se estava ficando louco.
Afinal, tinha acabado se apaixonando de repente por uma mulher casada.
Mas essa sensação de loucura não lhe parecia nada ruim.
Pelo menos era muito melhor do que a vida sem graça e monótona que tinha levado nas últimas décadas.
Quando Franciele saiu do banheiro depois de passar a pomada, se surpreendeu ao ver Nelson ainda parado à porta.
— Sr. Sampaio, por que você ainda não foi embora?
Ela não conseguiu esconder o susto ao vê-lo.
Nelson lançou-lhe um olhar de lado.
— Vou te levar para casa.
Franciele balançou as mãos por reflexo.
— N-não precisa!
Quem garantiria que ele não tinha segundas intenções e não tentaria aproveitar a carona para entrar no apartamento dela?
Ela só queria voltar para casa e dormir bem.
Nelson se inclinou na direção dela, encurralando-a contra a parede atrás.
— Não quer que eu te leve? Tem certeza de que consegue voltar assim?
Franciele piscou.
Só então percebeu ao que ele se referia: a parte de baixo estava totalmente exposta, já que ele tinha rasgado tanto a saia quanto a calcinha dela.
Desse jeito, era impossível sair na rua.
Franciele lançou a ele um olhar irritado e acusador.
No fim das contas, a culpa de tudo aquilo era dele.
Sem dizer mais nada, Nelson tirou o paletó do próprio terno e amarrou na cintura dela, cobrindo-a.
Assim, pelo menos, Franciele não correria o risco de mostrar demais.

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