Nelson virou o rosto, aproximando-se dela:
— Me dá um beijo que eu devolvo!
Franciele já estava no limite da paciência.
Ela o encarou, furiosa:
— Nem pense em fazer gracinha.
Há pouco, enquanto ela estava ao telefone, ele tinha se aproveitado para passar as mãos pelo corpo dela inteiro.
Ela ainda nem tinha acertado as contas com ele por causa disso.
E ele ainda tinha a coragem de pedir um beijo?
De onde vinha tanta cara de pau?
— Foi emocionante? — Nelson perguntou, olhando para ela com um olhar ardente.
Franciele fez uma expressão indignada:
— Nem um pouco...
Ela quase tinha morrido de susto. Onde estava a parte emocionante daquilo?
Nelson soltou um absurdo:
— Que tal ligar de novo e a gente continuar?
Os olhos de Franciele tremeram de irritação:
— Eu não vou entrar nas suas loucuras. Me devolve o celular...
— Eu já disse: me dá um beijo e eu devolvo! — insistiu Nelson.
Franciele não queria beijá-lo de jeito nenhum.
Já que ele se recusava a devolver, ela mesma pegaria à força.
De propósito, Nelson ergueu o celular bem alto, fora do alcance dela.
Quase como se estivesse provocando-a a subir em cima dele.
Enquanto isso, ele dava passos para trás.
Até que Franciele o empurrou, fazendo-o cair no sofá.
Finalmente, ela conseguiu arrancar o aparelho das mãos dele.
Mas só porque Nelson deixou.
— Foi divertido? — perguntou Nelson, soltando uma risada rouca.
Franciele guardou o celular.
E lançou a ele um olhar irritado.
Ela estava prestes a descer de cima dele quando Nelson segurou sua cintura fina, puxando-a de volta para os braços dele.
— Fica quietinha. Vamos continuar.
— Não... hum...
Franciele mal teve tempo de recusar antes que Nelson tomasse seus lábios.
Ele a beijou com voracidade, num beijo intenso e selvagem.
Franciele não conseguia resistir.
Ele já tinha roubado todo o seu fôlego.
Desesperada, ela se contorceu, tentando se levantar.
O que ela não sabia era que aqueles movimentos só atiçavam ainda mais o desejo dele.
Uma aura ameaçadora se formou no olhar de Nelson.
Um brilho frio e impiedoso surgiu em seus olhos.
— Cai fora daqui.
Ele rosnou as palavras entre os dentes.
Myron estremeceu dos pés à cabeça.
Voltou a si rapidamente.
E, com muito bom senso, tornou a fechar a porta da sala.
(...)
Franciele sentiu o peso do constrangimento cair sobre ela.
No instante em que Myron entrou, viu exatamente a cena dela sobre Nelson, pressionando-o no sofá enquanto os dois se beijavam.
Pior ainda: o vestido dela continuava intacto, enquanto Nelson já estava praticamente sem calça.
Será que Myron achou que ela estava assediando o próprio chefe?
Como ela ainda teria coragem de encarar alguém naquela empresa depois disso?
Por instinto, Franciele quis correr atrás dele para se explicar.
Mas Nelson a puxou de volta, fazendo-a sentar outra vez no colo dele.
— Aonde você vai?
— Vou me explicar para o Myron — respondeu Franciele, automaticamente.
Nelson a olhou de um jeito enigmático:
— Você acha mesmo que ainda tem explicação?

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