Giselda respondeu:
— O Myron está com outras pendências. Além disso, é sempre bom uma mulher acompanhar o Sr. Sampaio nessas viagens para ajudá-lo com certas necessidades.
Franciele zombou mentalmente: Quão exigente esse Nelson podia ser? Precisava mesmo de uma mulher só para servi-lo durante as viagens?
Mas, como assistente dele, aquilo fazia parte do trabalho e não havia como recusar.
— Tudo bem, entendido.
...
À noite, depois da última reunião.
Todos já tinham recolhido suas coisas para ir embora.
Mas Franciele foi parada por Nelson.
— Sr. Sampaio, precisa de mais alguma coisa?
Nelson parou diante dela.
Sua figura alta e imponente projetou uma sombra sobre ela.
— Ainda dói aí? — perguntou ele, olhando-a nos olhos.
O rosto dela corou violentamente.
Jamais imaginou que ele a faria ficar só para perguntar aquilo.
— Está bem melhor.
Ela respondeu depressa e se virou para sair.
Mas Nelson percebeu pela forma como ela andava que ainda estava desconfortável.
Em poucos passos, ele a alcançou e a pegou no colo por trás.
— O que você está fazendo?
Franciele ficou atônita e começou a se debater na mesma hora.
— Onde está a pomada que a Giselda te deu?
Nelson perguntou perto do ouvido dela.
— Na gaveta do meu escritório — respondeu Franciele automaticamente, se remexendo inquieta nos braços dele.
Estava morta de medo de que alguém os flagrasse e descobrisse que os dois tinham uma relação íntima.
Nelson não deu ouvidos. Apenas a carregou direto para o escritório dela.
Em seguida, abriu a gaveta da mesa e encontrou a pomada anti-inflamatória.
— Você mesma tira, ou quer que eu ajude?
Ele a olhou de cima, imponente.
Por um segundo, a mente de Franciele ficou em branco.
O que ele estava sugerindo?
Não estaria pensando em fazer aquilo ali, no escritório dela, estaria?
Ao vê-la só encará-lo, com o rosto em chamas e sem responder,
Nelson perdeu a paciência, abaixou-se e levou a mão ao zíper da saia dela.
Franciele reagiu na mesma hora, segurando o zíper com força para protegê-lo.
Seus olhos amendoados brilhavam de vergonha e raiva.
— Você... não dá para irmos para outro lugar?
Mesmo que ela tivesse prometido deixá-lo ficar quite, isso não significava que ele precisava fazer aquilo logo ali, no escritório dela.
Eles ainda estavam na empresa.

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