Mesmo se já estivesse com a certidão de divórcio em mãos, ela não contaria a ele.
Respirando fundo, Franciele tentou manter a calma:
— Afinal, o que você quer?
Ela sabia que Nelson não era um homem qualquer.
A ideia de simplesmente dormir com ele de graça e usá-lo como remédio era absurda.
Já que o inevitável tinha acontecido na noite anterior, ela precisava encarar a situação de algum jeito.
Os olhos escuros de Nelson se fixaram intensamente nela:
— Aceite o acordo de três dias e, depois, fique comigo.
— Eu... eu ainda não sou divorciada! — Franciele buscou uma desculpa para ganhar tempo. — Pelo menos por agora, não dá.
Ela e Givaldo ainda eram casados perante a lei.
Se aceitasse ficar com Nelson, o que isso significaria?
Bigamia?
Dois maridos?
Se recusá-lo agora significaria apenas que ela estava tendo um caso, pagando Givaldo na mesma moeda.
Mas aceitar ser a mulher de Nelson mudaria completamente a natureza daquilo.
Ela não queria correr o risco de ser processada por Givaldo.
Nelson ficou em silêncio por um instante.
Então declarou de repente:
— Então me deixe dormir com você mais uma vez.
Franciele quase se engasgou.
— O quê? Como assim, dormir comigo mais uma vez?
Nelson explicou:
— Já que ontem você me usou só para controlar a sua crise e depois não quer nada comigo, eu não posso sair no prejuízo, posso? Pelo menos você tem que me dar uma noite para a gente ficar quite.
— Você...
Franciele arregalou os olhos amendoados.
Ela nunca tinha ouvido falar em “ficar quite” desse jeito.
Mas o fato era que ela realmente o havia usado como calmante.
E, se não queria continuar com ele, também não podia simplesmente aproveitar a noite e sair como se nada tivesse acontecido.
Se ele fosse um homem comum, tudo bem.
Mas ele era o chefe dela.

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