No instante seguinte, seu corpo também reagiu.
Droga.
Ele não pôde evitar praguejar mentalmente.
Sempre fora um homem de extremo autocontrole.
Como podia perder o domínio tão facilmente quando se tratava dela?
Naquele momento, um impulso avassalador tomou conta dele.
Queria entrar no banheiro e abraçar a mulher que se banhava ali dentro...
O celular tocou na hora certa.
Nelson recuperou a razão e atendeu.
Era o advogado Gonçalo.
Gonçalo informou:
— Com base nas provas que apresentei, a polícia concluiu preliminarmente que a Sra. Duarte agiu em legítima defesa. Mas o caso ainda não está encerrado. O principal problema é que o Fernando ainda não acordou no hospital desde ontem à noite. Se o caso for enquadrado como lesão corporal grave, a situação pode se complicar. Além disso, a família Mendes está pressionando fortemente a polícia para que a Sra. Duarte seja punida com rigor. Receio que ela corra o risco de ser presa novamente.
Nelson franziu a testa.
— Fernando ainda não acordou?
Gonçalo confirmou em tom grave:
— Fernando é o único herdeiro homem da família Mendes. Ouvi dizer que, além do abdômen, até as partes íntimas dele foram atingidas. A família inteira foi ao hospital ontem à noite e está fora de si, exigindo que os médicos o salvem a qualquer custo. Temo que, mesmo que a família Duarte intervenha, isso não vá adiantar muita coisa.
O olhar de Nelson ficou gélido.
Ele instruiu Gonçalo a acompanhar o caso de perto e a cuidar de tudo da melhor forma possível.
Se surgisse qualquer problema, teria de ser informado imediatamente.
— Entendido, Sr. Sampaio.
...
Depois do banho, Franciele percebeu que tinha esquecido de pegar roupas limpas.
As roupas de antes já estavam sujas e não podiam mais ser usadas.
Ela não podia simplesmente sair enrolada numa toalha.
E se Nelson ainda estivesse no quarto?
Ele não acabaria entendendo errado, achando que ela estava fazendo aquilo de propósito para seduzi-lo?
Enquanto Franciele hesitava, a voz de Nelson soou do lado de fora, junto com uma batida na porta.
— Ainda não terminou? Você já está aí dentro há quase uma hora.
Depois de desligar o telefone, ele a esperou por mais de meia hora, e ela ainda não tinha saído.
Sua boca estava seca.
O fogo dentro dele subiu de novo.
Sem conseguir se conter, cerrou os dentes.
Foi até a varanda, acendeu um cigarro e começou a soltar fumaça.
...
Franciele vestiu a roupa confortável no banheiro e saiu, mas não encontrou Nelson no quarto.
Achou que ele já tivesse ido embora.
Até ouvir um som estranho vindo da varanda.
Curiosa, aproximou-se para olhar.
Nelson estava de olhos semicerrados, encostado na grade da varanda.
Gotas de suor escorriam por sua testa.
Seus lábios estavam apertados, como se estivesse contendo algo com enorme esforço.
Num primeiro momento, Franciele não entendeu o que ele estava fazendo.
Até que, sem querer, seu olhar caiu sobre a mão dele dentro do bolso da calça...

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