Enquanto Franciele ainda não sabia o que fazer, alguém bateu à porta.
Era Selena.
Nelson teve de soltá-la e foi abrir.
Selena havia trazido o café da manhã para ela.
Nelson pegou a bandeja e voltou a fechar a porta.
— Coma um pouco primeiro.
Franciele apoiou-se na beira da cama, dividida.
— Quero tomar banho primeiro.
Os olhos escuros de Nelson a observaram por um instante.
— Tudo bem, eu ajudo você.
As pálpebras de Franciele tremeram.
— N-não precisa, eu consigo sozinha.
Ela quase gaguejou.
Nelson a encarou profundamente.
— Tem certeza? Pelo que vi, você mal conseguia ficar em pé agora há pouco.
O belo rosto de Franciele ficou imóvel.
— ...
Ela sabia muito bem que não era hora de bancar a forte.
Se entrasse sozinha no banheiro e acabasse caindo, seria ainda pior.
Depois de hesitar várias vezes, acabou cedendo:
— Acho melhor eu tomar café primeiro.
Não seria tarde para tomar banho depois de recuperar um pouco das forças.
Nelson aproximou a bandeja.
Em cima dela havia uma tigela de caldo leve e nutritivo, acompanhada de alguns petiscos delicados.
Franciele estava prestes a pegá-la.
Mas, para sua surpresa, Nelson sentou-se na beira da cama.
Segurou a tigela, pegou uma colherada e a levou até os lábios dela.
Franciele ficou atônita.
Arregalou os olhos, incrédula.
Ele realmente ia alimentá-la?
— Está com medo de queimar a língua?
Nelson abaixou a cabeça, soprou algumas vezes e tornou a oferecer.
— Assim já não deve estar tão quente.
Franciele ficou sem palavras.
A expressão dela era de puro espanto.
Ele realmente ia dar comida na boca dela?
— Eu mesma faço isso...
Ela nem conseguiu terminar a frase, porque Nelson a interrompeu:
— Abre a boca.
Sem escolha, Franciele abriu obedientemente os lábios avermelhados.
Nelson colocou a colherada de caldo em sua boca.
Ela mastigou de leve os acompanhamentos e engoliu.
Nelson disse:
— Vou preparar o banho para você.
Franciele o impediu apressadamente.
— Não precisa. Eu só vou entrar e tomar um banho rápido.
Ela estava realmente constrangida em incomodá-lo ainda mais.
Dizendo isso, levantou-se da cama com pressa e correu até o banheiro.
Felizmente, dessa vez não tropeçou.
Assim que entrou, trancou a porta.
Só então tirou a roupa devagar e entrou sob o chuveiro.
A porta do banheiro era de vidro fosco, e a silhueta esguia e curvilínea dela se desenhava do outro lado.
Nelson ouvia o som da água caindo.
Sem querer, a imagem de Franciele tomando banho surgiu em sua mente.
Ela debaixo do chuveiro, com a pele clara levemente corada pelo vapor quente.
As gotas escorrendo por seus longos cabelos macios, deslizando por seu rosto delicado, passando pelo pescoço esguio e pelas clavículas finas num trajeto contínuo.
Sedutora.
Envolvente.
Irresistível.
Só de imaginar aquilo, Nelson sentiu o corpo esquentar.
Seu pomo de adão subia e descia repetidamente.
Por dentro, era um caos de desejo contido.

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