— ...
Ele não podia ficar um pouco mais longe dela?
Mas dizer isso em voz alta faria parecer que ela estava se achando demais.
Franciele apenas se afastou discretamente para o lado.
Ao mesmo tempo, abaixou a cabeça para beber água e desviar a atenção.
Tomou mais de meio copo de uma só vez.
Isso aliviou a secura na garganta causada pelo pesadelo de antes.
Ela abaixou o copo e já ia sair.
De repente, viu Nelson pegar o copo que ela acabara de usar e beber de uma vez o resto da água.
Franciele ficou atônita.
Ele realmente tinha bebido o resto da água dela?
Ele não achou isso anti-higiênico?
— Você...
Franciele o encarou, hesitando em falar.
Nelson sustentou seu olhar, como se lesse a dúvida em seus olhos.
— Durante os nossos beijos, eu já perdi a conta de quanta saliva sua engoli.
Ele a encarou com um sorriso contido nos lábios.
O belo rosto de Franciele ficou completamente vermelho no mesmo instante.
Um calor inexplicável começou a subir por seu corpo.
Maldito homem!
Como ele podia provocá-la daquele jeito, mencionando a saliva dos beijos que trocaram?
No meio da madrugada, quem conseguiria lidar com isso?
Franciele tentou desesperadamente controlar o coração, que parecia prestes a saltar pela boca.
Virou-se de repente e saiu rápido da cozinha.
Mas, por causa da pressa, não viu o pequeno desnível na saída.
Franciele tropeçou e quase caiu.
Um braço longo e forte se estendeu por trás dela.
Segurou sua cintura a tempo e a puxou para um abraço.
No instante em que os corpos se tocaram, Franciele sentiu uma corrente elétrica percorrer todo o seu corpo.
Ela se debateu, querendo se afastar.
Mas Nelson apertou ainda mais a mão em sua cintura.
O olhar dele sobre ela era extremamente sombrio.
Transbordava um desejo de posse absoluto.
Franciele já não ousava encará-lo.
Só Deus sabia o quanto seu corpo ficava desconfortável com ele tão perto.
Os sintomas da sua condição pareciam estar voltando.
Mas, como ela tinha se mudado às pressas daquela vez, não trouxera o remédio.
E agora?
O que ela faria?
Enquanto Franciele se perdia nesses pensamentos, Nelson de repente a pegou no colo.
Mas ela realmente fez aquilo.
— Um convite?
Os olhos de Nelson escureceram ainda mais ao fitá-la.
O coração de Franciele disparou.
Seu corpo ficou ainda mais desconfortável.
Mesmo assim, balançou a cabeça rapidamente.
— N-não, não é isso...
O corpo de Nelson estava rígido.
Na escuridão, ele a encarava fixamente.
Franciele mordeu o lábio inferior.
Teve de admitir, contra a vontade:
— Eu só... acho que a minha crise voltou! Você tem... algum remédio aqui?
Ela perguntou, agarrando-se a um fio de esperança.
Inesperadamente, Nelson respondeu sem hesitar:
— Não!
— ...
O coração dela afundou de repente.
Se ele não tinha o remédio, como suportaria aquela longa noite?
Nelson então se aproximou dela e disse, pausadamente:
— Mas eu posso ser o seu remédio.

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