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Meu Ex Era Frio, Eu Casei de Novo romance Capítulo 120

— Tinha ido para casa.

Se não tivesse ouvido o boato de que ele caíra, não teria retornado àquela hora da noite para vê-lo.

Os olhos escuros de Nelson fixaram-se nela:

— Você estava chorando?

O coração de Franciele deu um solavanco.

Não contava com a sagacidade do olhar dele.

Bastou um segundo para ele perceber que ela havia chorado.

Contudo, como admitiria isso na frente dele?

— Não.

Franciele negou, sem jeito, mudando de assunto às pressas:

— Você ainda não tomou os remédios, certo? Anda logo, tome a sua medicação.

Ela pegou as cartelas na mesa de cabeceira, tirou alguns comprimidos e os despejou na palma da mão.

Então os estendeu na direção dele.

Nelson manteve os lábios finos selados. Sem dizer uma palavra, apenas a encarava.

Nem sequer desviou os olhos para ver os remédios que ela lhe oferecia.

Era óbvio, com um simples olhar, que ela sem dúvida havia chorado.

Um misto de pena e fúria injustificável emergiu em seu peito.

Como alguém ousava magoá-la daquela forma?

Mas, infelizmente, ele não tinha nenhum vínculo ou autoridade para sondá-la a respeito.

— Vai me dizer que não tem coragem nem para engolir umas pílulas? — Franciele o provocou, ao perceber que ele continuava inerte.

Nelson a fulminou com os olhos, parecendo ter algo a dizer que morreu na garganta.

Depois de hesitar, admitiu num resmungo sem graça:

— Eu odeio gosto amargo.

Franciele soltou uma gargalhada genuína, incapaz de segurar.

Então até ele tinha fraquezas.

— Quem diria que o todo-poderoso tem medo de gosto ruim? Quer que eu desça para comprar um pirulito? — Franciele caçoou, aos risos.

O rosto imponente de Nelson fechou-se de imediato:

— Não se atreva.

Franciele tornou a estender a mão na direção dele:

— Vamos lá, engole tudo. Tudo o que faz bem tem gosto ruim.

Nelson fixou o olhar nela por um momento.

Por fim, pegou o copo de água e os comprimidos, jogou a cabeça para trás e engoliu tudo de uma vez.

As feições outrora imponentes se contorceram em uma expressão de sofrimento quase cômica.

Franciele nunca tinha visto o chefe naquela situação de vulnerabilidade e começou a rir ainda mais.

Sentiu até vontade de pegar o celular e tirar uma foto para registrar o momento.

— Saia daqui. — Nelson rosnou, furioso.

— Eu ajudei o Edson, sim, mas isso não tem nada a ver com você. Apenas considerei que ele seria útil aos meus propósitos.

Uma faísca de surpresa cortou o olhar de Franciele:

— Mas...

Como ele podia afirmar que não tinha nada a ver com ela?

De que forma Edson seria útil aos propósitos dele?

Nelson lhe lançou mais um olhar:

— Agora, se você quer massagear o próprio ego e achar que fiz isso por você, não há muito que eu possa fazer.

Franciele:

— ...

Ela nunca teve a pretensão de massagear o ego com algo do tipo.

Edson devia um empréstimo exorbitante de cento e cinquenta milhões à Congregação do Sol Esquecido.

Se essa conta fosse parar nas costas dela, estaria devendo a Nelson um favor de cento e cinquenta milhões.

Uma dívida daquele calibre ela jamais teria condições de pagar.

Sendo assim, era infinitamente melhor que não tivesse sido por ela.

Franciele soltou um suspiro de alívio e disse polidamente:

— Sr. Sampaio, descanse bastante. Eu já vou indo...

— Fique onde está. — Nelson bradou, parando-a no ato.

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