Franciele desvencilhou-se da mão dele, sem qualquer vontade de prolongar a conversa.
— Lembre-se de assinar os papéis.
Não era questão de ter coragem ou não.
Eles a tinham encurralado até ela chegar àquele ponto.
Quando a decepção atinge o limite máximo, qualquer um larga tudo e deseja recomeçar do zero.
Franciele não voltou para o quarto. Simplesmente abriu a porta e saiu.
Foi a primeira vez que ela bateu a porta e deixou Givaldo para trás por conta própria.
...
A noite estava fria e silenciosa.
Franciele caminhava sozinha pelas ruas.
A brisa noturna passou, fazendo-a sentir um calafrio no corpo.
Mas não era nada comparado ao frio avassalador que sentia no peito.
Só porque era filha de Mafalda, ela merecia ser esmagada sob os pés de Eliana?
Bastou tentar reagir uma única vez com todas as suas forças.
E logo a própria mãe e o marido voltaram-se contra ela.
Desde quando todas as pessoas ao seu redor haviam se transformado em defensores de Eliana?
Seus sentimentos, os seus interesses... tudo isso já havia sido descartado pelos outros há muito tempo.
Talvez devesse ter criado coragem para romper aquelas amarras muito antes e vivido para si mesma pelo menos uma vez.
Em vez de continuar sendo eternamente a sombra de Eliana.
Sempre reprimida e menosprezada por seus familiares e por seu companheiro.
O celular tocou de repente.
Era Myron, o assistente especial de Nelson.
— Franciele, onde você está?
Franciele respondeu:
— Fui para casa.
Myron falou em tom urgente:
— O chefe se recusou a tomar os remédios o dia todo. E, desde que você foi embora, ele está ainda mais difícil. Ninguém tem coragem de chegar perto, então vou precisar te pedir o favor de voltar e convencê-lo.
Franciele ficou confusa:
— Mas não tem outra mulher cuidando dele agora?
Myron já havia entendido o que rolara:
— Você se refere à Loreta? Ela é a irmã do chefe e vive na correria. Veio visitá-lo hoje cedo, mas teve que voltar para o trabalho porque tinha algumas cirurgias marcadas. Acabou indo embora rápido.
Sem mencionar a vez em que foi drogada por Eliana e Viviana. Se não fosse por Nelson, as duas teriam conseguido concluir o plano terrível.
Ela tinha uma dívida de gratidão gigantesca com Nelson. Agora que ele estava machucado, não podia simplesmente virar as costas e ser ingrata.
...
Franciele chegou às pressas ao quarto do hospital.
Imaginava que, depois da queda, o estado dele devia estar péssimo.
Porém, ele estava muito bem acomodado na cama, parecendo não ter sofrido o menor arranhão.
Franciele caminhou até a beira da cama, desconfiada:
— Ouvi dizer que você caiu. Machucou onde?
Nelson lançou-lhe um olhar profundo e enigmático:
— Aonde você foi?
Franciele se engasgou.
Não era como se ela tivesse a obrigação de dar satisfações da vida dela para ele, não é?
Era apenas a sua assistente, não uma escrava.
Ir ao hospital para visitá-lo e cuidar dele era uma questão de consideração, não um dever.
Mas, ao notar as ataduras brancas envolvendo o corpo dele, Franciele preferiu não discutir.

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