O quarto que Paloma preparou para Bruna e Uriel era uma suíte de hóspedes na casa principal da propriedade.
O ambiente era imenso, decorado em um estilo clássico e palaciano europeu.
Detalhes em ouro puro davam ao recinto uma aura de luxo extravagante e sofisticação.
Bruna não conseguiu conter a admiração.
— Eu jamais imaginaria que você fazia parte da realeza, Paloma. Foi uma verdadeira expansão de horizontes.
Uriel, por sua vez, não demonstrou nenhuma reação.
Caminhou direto até a cama e sentou-se, o cansaço evidente em seu rosto.
Vendo isso, Bruna aproximou-se e sentou ao lado dele.
Preocupada, segurou a mão do marido.
— Você está se sentindo muito mal, não é?
Antes, a saúde de Uriel era inabalável. Sendo um CEO que vivia ocupado, voos internacionais de negócios eram rotina.
Ele nunca enjoava em aviões.
Por isso, Bruna deduziu que algo estava errado.
Com a mão livre, ela acariciou a nuca dele.
— É aqui que está doendo?
Quando Uriel fez menção de responder, o tom de Bruna tornou-se mais severo.
— Sem mentiras para mim.
Uriel abriu a boca, mas acabou soltando um suspiro.
Confessou: — Dói um pouco. Quando Fernanda me levou de volta à Capital, também fomos de avião. Minha cabeça doeu naquela época, mas não tanto quanto hoje, e a dor não durou tanto tempo.
O coração de Bruna deu um salto no peito.
Pelo visto, a interferência do microchip estava se agravando.
Se continuasse assim, a própria vida de Uriel correria perigo.
Felizmente, já estavam em Vereda da Serra.
Bruna inclinou-se e o abraçou com força.
— Amanhã mesmo vamos procurar o Dr. Jesse para os exames. Assim que tirarem esse chip, você nunca mais vai sentir dor ao voar.
Uriel retribuiu o abraço.
— Eu sei. Vai dar tudo certo.
Exaustos, os dois desfizeram as malas e se deitaram para descansar.
O sono se prolongou até o início da noite.
Quando Bruna despertou, ainda estava um pouco desorientada.
No segundo seguinte, bateram de leve na porta e a voz de Paloma soou:
— Bruna? Vocês já acordaram?
— Já, sim. — respondeu Bruna.
A voz de Paloma soou mais alta do outro lado da porta.
— O jantar está pronto. Desçam para comer alguma coisa.
— Certo, já estamos descendo.
Após a saída de Paloma, Bruna foi a primeira a se levantar.
A luz do entardecer lá fora já estava fraca, e as grossas paredes do quarto tornavam o ambiente ainda mais sombrio.
Bruna acendeu as luzes e conferiu a hora no celular.
Já eram seis da tarde.
Ela se virou para Uriel, que continuava deitado.
— Levante-se para comermos. Amanhã você fará os exames e não poderá comer nada depois das oito da noite. Precisa forrar o estômago agora.
Uriel olhou para cima, encarando Bruna.
De repente, apoiou-se nos cotovelos e roubou um beijo dos lábios dela.

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