Uriel Braga agarrou a mão de Bruna Moraes de repente.
— Bruna.
Aquela voz…
Bruna baixou o olhar para ele e, finalmente, notou algo diferente em seus olhos.
Os lábios de Uriel, ainda pálidos e levemente ressecados, curvaram-se em um sorriso.
Sua voz saiu rouca, mas não conseguiu ocultar a alegria transbordante.
— Eu me lembrei de tudo.
Bruna ficou paralisada.
Em seguida, a imensa surpresa transformou-se em lágrimas que rapidamente inundaram seus olhos.
Ela se inclinou e escondeu o rosto no peito de Uriel, sem dizer uma palavra, apenas deixando as lágrimas rolarem em silêncio.
Vê-la daquele jeito partiu o coração do homem.
Ele ergueu a mão com dificuldade e acariciou os cabelos dela.
— Não chore, eu…
A respiração dele acelerou um pouco; afinal, seu corpo ainda não estava totalmente recuperado.
Ele queria continuar falando, mas a fraqueza física tornava o ato exaustivo.
Ao perceber o esforço dele, Bruna se apressou em ajeitar a máscara de oxigênio de volta no rosto de Uriel.
— Pronto, não faça esforço, eu já entendi tudo; qualquer conversa pode esperar até você se recuperar por completo.
Seus olhos estavam vermelhos, mas a voz soava incrivelmente terna.
Para ela, nada era mais importante do que a saúde de Uriel.
Absolutamente nada se comparava ao milagre de vê-lo acordado.
Com a máscara ajustada, a respiração de Uriel foi se estabilizando.
Ele segurou a mão de Bruna, entrelaçando seus dedos com força.
Desta vez, ele jamais a deixaria para trás.
…
Levou algum tempo para que os conflitos da família de Paloma fossem resolvidos.
Assim que conseguiu uma brecha em sua agenda, ela foi com Bonifácio visitar Bruna e Uriel no hospital.
Bruna perguntou se a situação já estava sob controle.
Paloma assentiu, entregando-lhe uma elegante caixa de doces.
A caixa estava adornada com um laço e um selo tradicional de felicidade conjugal.
Bruna olhou para a amiga, surpresa.
Paloma apertou a mão de Bonifácio. — Boni e eu nos casamos; assinamos os papéis ontem.



A recuperação completa de Uriel levou cerca de um mês.
O casal só arrumou as malas para retornar ao Brasil após comparecerem ao elegante casamento de Paloma e Bonifácio.
Antes da despedida, Paloma não conseguiu se conter e murmurou para Bruna:
— Acho que raramente virei ao País A daqui para frente; Bruna, espero que ainda possamos construir algo grandioso no design de moda juntas.
Bruna compreendeu a mensagem nas entrelinhas; a amiga estava reforçando que a carreira de uma mulher jamais deveria ser deixada de lado.
Desta vez, ela assentiu com firmeza para Paloma. — Eu sei, conte comigo.
Paloma provavelmente compreendeu a determinação no olhar de Bruna e a envolveu em um abraço apertado.
— Minha grande amiga, eu irei te visitar em breve.
Bruna retribuiu o abraço com carinho.
A poucos passos dali, Uriel assistia à cena com o semblante sombrio.
Desde o dia em que ele acordara no hospital até agora...
Quantas vezes Paloma havia abraçado a *sua* Bruna?
Ela já era uma mulher casada, deveria saber impor certos limites.
Com esse pensamento, Uriel lançou um olhar carregado de desdém para Bonifácio, que estava logo ao lado.
Bonifácio apenas coçou o nariz, sentindo-se como um bode expiatório injustiçado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Meu Amor, Meu Traidor