A revelação trouxe lágrimas aos olhos de Bruna, que sorriu docemente.
— É isso mesmo. Nós morávamos juntos e adorávamos comer hot pot naquela época.
Segurando firme a mão dela, Uriel perguntou, com a voz carregada de expectativa: — Você pode me levar ao lugar onde morávamos?
Bruna balançou a cabeça com tristeza.
— Não é que eu não queira te levar. O quarteirão onde o nosso apartamento ficava foi desapropriado pela universidade local para uma expansão. O prédio não existe mais, não restou nenhum vestígio dos nossos dias lá.
A decepção no rosto de Uriel foi quase palpável.
Bruna deu um passo à frente e acariciou o rosto dele com carinho.
— Assim que essa cirurgia acabar, tenho certeza de que todas as suas memórias vão voltar. E mesmo que os lugares não existam mais, essas lembranças viverão para sempre nos nossos corações.
Uriel assentiu devagar.
E assim, de mãos dadas, eles finalmente deixaram o hospital.
...
No meio daquela mesma noite.
Com Uriel dormindo profundamente, Bruna desceu as escadas para beber água.
Na penumbra da sala de estar, avistou o contorno de uma figura sentada.
Ela se sobressaltou, mas logo reconheceu a silhueta. Era Paloma.
Aliviada, tocou o peito e caminhou até ela.
— Por que você está acordada no meio da madrugada, sentada no escuro? Que susto você me deu.
Bruna aproximou-se e acendeu a luz.
A iluminação súbita ofuscou a sala. Paloma, acostumada à escuridão, cobriu os olhos com o antebraço e só os abriu quando a claridade deixou de incomodar.
Ela não respondeu à pergunta.
Apenas continuou lá, afundada no sofá em um silêncio sepulcral. Várias garrafas de bebida alcoólica estavam espalhadas à sua frente.
O cheiro forte de álcool impregnava o ambiente.
Bruna franziu a testa, a preocupação tomando conta de si.
— O que foi que aconteceu?

— A culpa é toda minha. Minha mãe teve que sacrificar tudo por minha causa...
O choro de Paloma era de cortar o coração.
Bruna só pôde abraçá-la mais forte, oferecendo o conforto do silêncio.
As intrigas da realeza eram um terreno completamente obscuro para ela.
Porém, considerando os métodos extremos que Paloma utilizou para forçá-la a viajar, Bruna já suspeitava que a competição fosse um campo minado.
Caso contrário, sua amiga jamais teria agido com tanto desespero.
Sentindo-se impotente diante do quadro, Bruna apenas perguntou:
— E se nós continuarmos na competição? Ainda há alguma chance de reverter a situação?

Dizendo isso, Paloma olhou nos olhos de Bruna. Ela apertou as mãos da amiga, com uma determinação triste moldando seu semblante.


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