Ao ouvir aquelas palavras, as lágrimas de Paloma ameaçaram transbordar.
Com os olhos vermelhos, ela virou o rosto para enxugá-las.
Após um longo momento de silêncio, finalmente sussurrou: — Combinado.
A bateria de exames de Uriel consumiu grande parte do dia.
Quando ele finalmente saiu, seu humor era visivelmente péssimo.
Bruna percebeu de imediato a irritação contida do marido.
Após serem informados de que os resultados só sairiam no dia seguinte, prepararam-se para voltar para casa.
Assim que pisaram fora do hospital, Bruna questionou o motivo de tanta insatisfação.
Uriel olhou para ela, parecendo debater consigo mesmo.
Acabou desabafando:
— Esse médico me tratando como se fosse meu melhor amigo. Que cara mais grudento, me irritou profundamente.
Bruna, que não esperava por aquela resposta, não conseguiu segurar uma risada.
Ao lado deles, Paloma também precisou virar o rosto para esconder a gargalhada silenciosa.
Desde que descobrira que Uriel era seu salvador, Jesse havia se transformado em uma sombra prestativa. Acompanhara cada etapa, fora solícito até demais e fizera de tudo de forma teatralmente chamativa.
Passar o dia sendo alvo daqueles olhares idolatradores destruiu a paciência de Uriel.
Ele mal podia esperar para que aquela tortura acabasse.
E agora que estava livre, sua própria esposa ria de sua desgraça.
A vontade de Uriel era cavar um buraco e se esconder.
Vendo a expressão dele ficar cada vez mais fechada, Bruna conteve o riso.
Deu uma tosse falsa para disfarçar, e Paloma também retomou a compostura.
— O Dr. Jesse só está demonstrando gratidão. Você salvou a vida dele, é natural que ele queira retribuir da melhor forma. Além disso, esse excesso de zelo garante que ele será extremamente cuidadoso durante a cirurgia. Você deveria estar feliz, foi a sua bondade do passado gerando frutos agora.
Uriel manteve-se calado, fitando Bruna.
Seu olhar tornava-se cada vez mais magoado, quase infantil.
Bruna respondeu com um sorriso tranquilizador.
— Não tem problema, vá cuidar dos seus assuntos. Eu já morei aqui, conheço bem a região. Ficaremos bem, não se preocupe conosco.
Após mais algumas desculpas, Paloma afastou-se às pressas.
Com a saída da amiga, Bruna segurou a mão de Uriel, pronta para levá-lo para comer.
Contudo, percebeu que ele não tinha a menor intenção de se mover.
Ela virou-se, confusa.
Uriel piscou os olhos, focando nela intensamente.
— Bruna, você disse que já morou aqui antes. Nós vivíamos juntos nessa época?
A surpresa e a alegria iluminaram o rosto da jovem.
— Você se lembrou de alguma coisa?
— Não é bem uma lembrança clara, mas uma imagem que surgiu de repente. Nós dois... estávamos sentados em uma sala pequena, comendo hot pot.

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