No dia seguinte, os laudos médicos de Uriel ficaram prontos.
O Dr. Jesse reuniu o casal e, com uma empolgação genuína, anunciou as novidades.
— Os resultados são fantásticos, meu amigo! Analisei cuidadosamente o posicionamento do chip. As chances de remoção sem danos colaterais são incrivelmente altas. Vocês podem confiar em mim de olhos fechados.
O alívio tomou conta de Bruna.
— Não sei nem como agradecer, Dr. Jesse.
— Não precisa agradecer. Agendaremos a cirurgia para daqui a três dias. O ideal é que o Sr. Braga seja internado imediatamente para o preparo.
— Perfeito.
Bruna cuidou de toda a papelada e instalou Uriel no hospital.
Paloma fez questão de acompanhá-los durante as primeiras horas da internação, mas precisou sair logo depois para tratar de assuntos particulares.
Antes de partir, dirigiu-se ao casal com um olhar de remorso.
— Sinto muito, a situação da minha família está exigindo muito de mim agora e não poderei estar presente o tempo todo. Mas se precisarem de qualquer coisa, é só me ligar. Resolverei tudo rapidamente.
Bruna sorriu e deu um tapinha afetuoso no ombro da amiga.
— Você já providenciou absolutamente tudo. Marcou as consultas com o melhor médico, garantiu esse quarto maravilhoso no hospital... o que mais poderia faltar?
— Vá cuidar da sua vida, Paloma. No momento, a melhor ajuda que posso dar é não causar problemas a vocês. Eu estarei aqui ao lado do Uriel, não precisa se preocupar.
Paloma abraçou Bruna com força e só então deixou as dependências do hospital.
Depois de arrumarem os pertences no quarto, Bruna finalmente fez uma chamada de vídeo para os pais no País A, a fim de mantê-los informados.
Ao escutar que as chances de sucesso eram excelentes, Valentina soltou um suspiro profundo de alívio do outro lado da linha.
— Eu sempre soube que esse moleque era duro na queda. Vaso ruim não quebra fácil! — brincou ela, escondendo a emoção.
Ao fundo, podia-se ouvir a pequena Ângela balbuciando, como se concordasse com a avó.
Bruna riu e virou a tela do celular para Uriel.
— Olha só, a sua filha também está torcendo por você.
Um sorriso brando e orgulhoso iluminou o rosto de Uriel.
Os três dias de espera pareceram arrastar-se e voar ao mesmo tempo.

Bruna estava sentada ao lado da cama. A cabeça dela balançava sutilmente de cansaço, mas ela se recusava a dormir de verdade.
Seus olhos se fechavam apenas por alguns instantes, abrindo-se sobressaltados logo em seguida.
Em um desses sobressaltos, ela fixou o olhar no frasco de soro, temendo que estivesse vazio.
E foi então que sentiu algo. Ao descer os olhos para a cama, deparou-se com as íris escuras e profundas de Uriel fixas nela.
A surpresa e a alegria explodiram no rosto de Bruna.


O quarto permanecia envolto em uma penumbra reconfortante.
Sob aquela luz quente e amarelada, o olhar de Uriel para Bruna era um mar de adoração e pertencimento.
Ele levantou a mão lentamente para remover a máscara de oxigênio. Bruna assustou-se e tentou segurar as mãos dele.
— O que você está fazendo? Não tire isso agora!

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