Bruna e Uriel despediram-se da família e embarcaram para Vereda da Serra.
Os quatro irmãos da família Moraes cogitaram enviar um representante para acompanhá-los.
Mas Uriel recusou prontamente.
A desculpa foi que não queria ninguém segurando vela.
Eloy, que havia se voluntariado como representante, quase partiu para cima dele com os punhos cerrados.
Só conteve o impulso ao olhar para Bruna.
No fim das contas, nenhum dos irmãos Moraes viajou com o casal.
Bruna deixou a pequena Ângela aos cuidados de Valentina.
— Mãe, pai, conto com vocês para cuidarem da Ângela. Voltaremos em breve.
Valentina assentiu para a nora.
Em seguida, desviou o olhar para Uriel, que estava ao lado de Bruna.
Seus olhos começaram a marejar e a voz embargou.
— Seu moleque atrevido, veja se obedece a Bruna durante a viagem. E, assim que a cirurgia for um sucesso, mandem notícias.
Uriel, sempre com uma resposta afiada na ponta da língua, provocou:
— Mesmo que seja um sucesso, vai ser a Bruna quem dará as notícias. Como é que eu vou conseguir me mexer logo depois?
— Moleque insolente!
Valentina lhe deu um chute de leve, do qual ele nem tentou desviar.
Embora Renan mantivesse a habitual postura serena, o olhar que lançava ao filho escondia uma profunda preocupação.
Ele se virou para Bruna, com um tom de súplica na voz.
— Deixo o Uriel em suas mãos.
— Fique tranquilo, pai.
Antes de partir, Uriel tocou suavemente a bochecha gordinha de Ângela.
A bebê sempre fora risonha.
Ela agitou as mãozinhas desajeitadas, segurou o dedo do pai e soltou uma gargalhada gostosa.
O sorriso nos lábios de Uriel se alargou.
Após se despedirem de Valentina e Renan, o casal encontrou-se com Bonifácio e Paloma. Juntos, embarcaram no jato particular providenciado por Bonifácio rumo a Vereda da Serra.
A bordo do avião.
Haviam partido de dia e, por causa do fuso, ainda era dia quando chegaram.
Uriel já havia acordado há muito tempo.
Seu rosto ainda exibia certa palidez.
No entanto, ao desembarcarem, a dor em sua nuca cedeu e sua cor foi retornando gradativamente.
Bruna, por outro lado, estava exausta.
Paloma já havia organizado a hospedagem deles.
A pista de pouso do jato particular ficava dentro da própria propriedade.
— Esta é a minha casa. Já preparei os quartos de vocês. Descansem hoje; amanhã teremos a consulta com o Dr. Jesse para os exames.
Bruna olhou para a amiga, genuinamente grata.
— Muito obrigada, Paloma.
Paloma balançou a cabeça. — Não há o que agradecer.
Afinal, como moeda de troca, ela mesma havia forçado Bruna a viajar até Vereda da Serra sob falsos pretextos.
Seus olhos perderam um pouco do brilho ao lembrar disso.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Meu Amor, Meu Traidor