Incapaz de suportar a visão por mais um segundo, Plínio virou as costas para as portas de saída.
Porém, no exato instante em que ia cruzar a soleira de mármore, dois brutamontes de terno bloquearam seu caminho.
— Sr. Lemos, a festividade ainda não encerrou. Receio que o senhor não tenha autorização para se retirar do recinto.
Com um tom de voz assustadoramente formal, os seguranças empurraram Plínio de volta para as margens do salão.
Um calafrio subiu pela espinha de Plínio. O arrepio de um presságio tenebroso instalou-se em seu peito. Algo monumental estava prestes a acontecer.
Preso no evento, restou a ele engolir a fúria seca e marchar de volta ao seu assento.
Um bipe seco no bolso interno do paletó desviou o seu foco.
Ao desbloquear a tela do celular, uma notificação de SMS brilhou com um remetente desconhecido.
[As manobras hostis contra o Grupo Braga foram ativadas, conforme ordenado.]
O pânico escorreu pelo ralo, sendo substituído por um sorriso triunfante.
Finalmente o xeque-mate.
Todo o capital e as conexões políticas que ele torrou na surdina para orquestrar um colapso em cadeia nas ações do império Braga não haviam sido em vão.
Hoje, naquele exato pregão, as cartas seriam expostas.
Guardando o aparelho, ele permitiu-se relaxar as tensões dos ombros.
Aguardou, como uma raposa paciente, até que o cerimonial das bênçãos no palco fosse concluído. Assim que Uriel desceu os degraus de mármore sozinho, ele avançou com uma taça na mão direita.
— Sr. Braga, minhas felicitações pela comemoração da sua herdeira.
Ao perceber a aproximação de Plínio e a menção ao brinde, Uriel manteve os braços cruzados, inerte.
Um sorriso zombeteiro aflorou nos lábios do CEO da família Braga.
— Por um segundo, cheguei a imaginar que você não teria o cinismo de comparecer, Sr. Lemos. Pelo visto, os funcionários do cerimonial erraram feio ao colocar o seu nome no correio. Peço perdão por interromper sua agenda para o trazer a este equívoco.
O tapa verbal era claro como cristal: ele nem sequer sabia da presença de Plínio no evento.
Aquele convite forçado deixava o ex-marido de Bruna na posição vergonhosa de um penetra miserável.
Tomar uma rasteira pública no meio de tantos tubarões corporativos fez o sangue ferver no rosto de Plínio.
Contudo, fantasiando com o rosto de desespero que Uriel faria em breves minutos ao descobrir o colapso financeiro, ele suprimiu o ódio.
— Não creio que precisemos nos tratar como inimigos mortais. Essa animosidade não traz lucro a ninguém, não concorda?
A altercação incendiou a curiosidade do salão e o burburinho se espalhou.
Distante do foco central, Bruna acabara de ser abordada por Paloma — a amiga havia se esquivado da anfitriã por horas até criar coragem para dizer "oi".
As duas não haviam trocado duas sílabas completas quando a gritaria cortou a música clássica.
Identificando Uriel e Plínio na roda de murmúrios, o coração de Bruna errou as batidas, e ela partiu em disparada para o tumulto, com Paloma em seu encalço.
Alcançando a segurança do marido, Bruna examinou Uriel em busca de qualquer arranhão.
— O que aconteceu? Você se machucou?
Uriel balançou a cabeça de forma negativa.
Plínio limpou o terno rasgado, esbravejando:
— Creio que os hematomas estão do meu lado, não acha? Esse lunático acertou um chute em mim de forma covarde, por nenhum outro motivo a não ser ouvir uma verdade absoluta que, pelo visto, fere o orgulho frágil dele!
Bruna ignorava qual atrocidade verbal havia jorrado daquela boca suja, mas ela sabia, no seu íntimo, que não poderia ser algo inofensivo.
Lançou um olhar gélido, carregado com a potência de uma nevasca, para o ex-marido.

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