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Meu Amor, Meu Traidor romance Capítulo 757

No centro do palco montado no salão principal, havia uma pequena mesa redonda coberta com uma manta macia e aveludada.

Foi ali que posicionaram a pequena Ângela.

Como a bebê ainda não sabia sentar sozinha, apoiava-se com a ajuda das mãos firmes da avó Valentina.

Encarando o mar de rostos concentrados à sua frente, a garotinha não demonstrou um pingo de intimidação. Pelo contrário; varreu o público com seus enormes olhos arregalados e rompeu o silêncio com uma gargalhada efervescente.

Seus traços já denotavam o refinamento genético da família Braga, com bochechas volumosas e uma pele alva e impecável.

Ao avistarem a preciosidade no palco, os figurões da elite sentiram seus corações derreterem.

— Céus, que criança mais preciosa!

— O que você esperava? Com pais que parecem modelos de revista, era impossível que a herdeira não nascesse um espetáculo.

— Parece que a Capital logo terá a solteira mais cobiçada do país em algumas décadas.

Sussurros carregados de elogios propagaram-se por cada canto do salão.

No palco, Valentina e Renan já estavam com o Amuleto de Prata apostos.

No exato momento em que a cerimônia iniciou, os dois avós ajeitaram o cordão no pescoço de Ângela.

Votos de prosperidade e proteção foram declarados ao microfone.

Em resposta, a multidão ergueu suas taças, entoando saudações calorosas à herdeira.

Assistindo à cena do lado de baixo, os olhos de Bruna começaram a arder, tomados pela emoção.

Ao virar a cabeça, seu olhar colidiu com o de Uriel, que já a observava. Os dois dividiram um sorriso carregado de significado.

O cronograma da festa avançou com dinamismo. Após a entrega do Amuleto de Prata pelos avós paternos, chegou o momento de os quatro irmãos Moraes apresentarem suas oferendas.

Os presentes superavam as definições do absurdo a cada nova caixa aberta.

Valentim agiu dentro do esperado para a sua frieza calculista: assinou a transferência de um generoso percentual em ações do Grupo Moraes para o nome da bebê.

Eloy tirou de um estojo de couro as chaves de um carro esportivo que sequer havia sido lançado no mercado mundial.

Fábio ofertou uma coroa cravejada de diamantes sob medida e um bracelete de ouro maciço.

A mente de Plínio pescou um detalhe incômodo: houve um imprevisto na ocasião. Célia Ramos sofreu uma crise de hipoglicemia e acabou desmaiando, esbarrando na mesa de bebidas no processo.

Ele recordou-se de ter amparado Célia e a levado a um dos quartos de hóspedes para trocar a roupa arruinada. Quando desceram, a atenção de todos os presentes se voltou para o estado de saúde de Célia.

Sem que ele notasse como, quem acabou acompanhando-o na comemoração final do herdeiro Lemos foi a própria Célia.

Um brilho sombrio nublou a visão de Plínio.

Todas as vezes que ele ignorara Bruna em prol dos caprichos de Célia despontaram em sua memória como cacos de vidro em carne viva.

Apertando a lateral do bar com violência, um remorso azedo começou a envenenar sua corrente sanguínea.

Ainda assim, ele se recusava a aceitar aquilo. Nenhum de seus erros justificava o abandono de Bruna.

Ele jurara a si mesmo que nada envolvendo a ex-esposa seria capaz de abalar sua sanidade mental.

Mas a realidade batia à porta, impiedosa.

O seu orgulho se partia em pedaços ao vê-la radiante e apaixonada nos braços de outro homem.

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