A Celebração dos 100 Dias de Ângela teve o seu início num clima vibrante e luxuoso.
No dia oficial do evento, o cenário era de cair o queixo.
O grandioso salão alugado por Uriel possuía uma arquitetura que exalava seriedade e imponência, mas, sob a batuta de seu planejamento meticuloso, havia sido transformado em um verdadeiro paraíso infantil.
Balões de tons pastéis flutuavam no teto em arcos suntuosos, e ursos de pelúcia de grife se misturavam a brinquedos educativos de edição limitada pelas áreas de descanso.
A nata da elite da Capital havia se reunido para celebrar. Homens e mulheres que estavam acostumados a frequentar bailes formais e sombrios, envoltos em vestidos de alta-costura e ternos engomados.
Para muitos, era a primeira vez imersos numa atmosfera tão banhada por inocência e magia.
Bruna caprichara no visual. Trajava um elegante vestido longo de tom rosa-claro que delineava suas curvas com sofisticação. Seus cabelos estavam presos em um coque clássico, ressaltando uma maquiagem polida e deslumbrante.
De braços dados com Uriel, os dois flutuavam pelo salão com taças de champanhe nas mãos, trocando cortesias com os acionistas.
Enquanto isso, a pequena estrela da noite desfilava sob a escolta atenta de Valentina e Renan.
O casal da meia-idade, agora orgulhosos avós de primeira viagem, esbanjava alegria a cada cumprimento.
Até mesmo Renan, um homem outrora inabalável e austero, não conseguia disfarçar um sorriso afetuoso.
Os irmãos Moraes dividiram-se na festa. Alguns permaneceram ao lado de Valentina bajulando a sobrinha, enquanto outros, como Valentim, usaram o evento como uma gigantesca vitrine para expandir laços comerciais.
Todavia, dada a magnitude do Sr. Moraes no mundo corporativo, ele raramente precisava tomar a iniciativa; os empresários desesperados gravitavam ao seu redor como mariposas.
E Plínio Lemos foi uma daquelas mariposas que ousou se aproximar.
Valentim jamais imaginou que Plínio teria a audácia de pisar naquele salão, e o seu olhar endureceu instantaneamente.
— O senhor não precisa me fuzilar com o olhar, Sr. Moraes. Eu recebi um convite formal para o evento da herdeira do Grupo Braga.
Aquela justificativa apenas deixou Valentim mais intrigado.
Sua irmã caçula não mencionara absolutamente nada sobre colocar o ex-marido abusivo na lista de convidados.
Pior, ela jamais o faria em sã consciência.
Exibindo um sorriso ácido, Plínio resolveu sanar a confusão alheia:
— Foi o Sr. Braga quem me convidou.
A temperatura ao redor de Valentim despencou vertiginosamente.
Ele fitou Plínio de cima a baixo com um desdém monumental.
— Sr. Lemos, não me importa como você rastejou para dentro deste salão. Já que está aqui para prestigiar os cem dias da minha sobrinha, sugiro que mantenha-se em silêncio no seu canto. Não queira arrumar problemas onde não deve.
Plínio ergueu uma sobrancelha, os lábios desenhando um sorriso venenoso.
— Estava olhando o meu irmão. Queria saber com quem ele estava debatendo no meio da pista.
— E você descobriu quem era? — A rispidez continuava lá.
O sorriso de Bruna se alargou, e ela acariciou a palma da mão dele de forma provocativa.
— Não consegui identificar. O meu marido ciumento me impediu.
Uriel estalou a língua no céu da boca, indignado.
— Você está me chamando de ciumento?
— E eu não posso?
Deparando-se com a nitidez incisiva no olhar cristalino de Bruna, Uriel içou a bandeira branca.
É claro que ela podia.
Desde que fosse só ele recebendo sua atenção.
Logo depois, os preparativos para o ritual central tiveram início.
A pequena Ângela vestia um conjunto rubi adornado por bordados luxuosos e uma touca artesanal. O tom avermelhado das roupas contrastava perfeitamente com sua pele branquinha, transformando-a na criatura mais encantadora da face da Terra.

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