Nem mesmo Bruna poderia imaginar que aquele irmão mais velho, sempre tão taciturno e imponente como o patriarca da família, fosse capaz de disparar uma cantada tão açucarada.
Alice Cruz, sem pestanejar, desferiu um tapa estalado na nuca de Valentim.
— Você não é muito diferente do Fábio.
Ter sua moral estilhaçada na frente dos irmãos caçulas deixou Valentim irritado, mas ele não ousaria levantar a voz para a namorada.
Restou-lhe engolir o orgulho em silêncio.
Com os olhos transbordando ternura e afeto, Alice afagou a bochechinha de Ângela.
— A nossa menina será o que ela quiser ser. O que importa é que ela cresça feliz e radiante.
Como se entendesse cada palavra, Ângela soltou uma gargalhada cristalina.
O grupo de adultos ficou em silêncio por dois segundos antes de caírem na risada em uníssono.
Uma aura de conforto e felicidade preenchia a ampla sala de estar.
Bruna beliscou de leve a bochecha da filha.
— Sua tia tem toda a razão. A princesinha de casa só precisa crescer saudável e esbanjando alegria.
Meia hora se passou até que Uriel e Daniel retornassem do jardim.
Os semblantes de ambos não haviam sofrido grandes alterações. No entanto, a tensão competitiva entre os dois continuava pairando no ar.
Bruna lançou um olhar preocupado para o marido.
— Está tudo bem?
Uriel balançou a cabeça, afagando carinhosamente os cabelos da esposa.
— Não se preocupe. Eu não vou me rebaixar ao nível do seu irmão.
Ao ouvir aquilo, Daniel estourou:
— Garoto arrogante! Está querendo apanhar?
Uriel rebateu com um olhar letal.
— Você teria coragem?
Bruna, estrategicamente, posicionou-se ao lado do marido.
Daniel encarou a irmã mais nova e trincou os dentes, a raiva por Uriel crescendo de forma exponencial.
Ao perceber que aqueles dois formidáveis executivos discutiam como crianças do ensino fundamental, o coração de Bruna se acalmou.
Sorrindo, ela assumiu o papel de apaziguadora.
Ela rezava, do fundo de sua alma, por uma vitória arrebatadora.
Rezava para que aquela felicidade conquistada com tanto suor durasse a eternidade.
Valentina aproximou-se e, com um sorriso gentil, tirou Ângela dos braços da nora.
— A sua família estar aqui é motivo de muita alegria, não é mesmo? Deixe a pequena comigo. Vá matar a saudade dos seus irmãos e cunhadas, vocês precisam colocar a conversa em dia.
Bruna fitou a sogra com um misto de gratidão e carinho.
A postura de Valentina sempre fora acolhedora e genuína, o tipo de amor incondicional que emanava do coração.
Retribuindo o sorriso, ela sussurrou:
— Muito obrigada, mãe.
Com a bebê em boas mãos, ela caminhou em direção a Alice e Quitéria para ajudá-las no preparo dos pratos.
Mas, mal dera dois passos, seu pulso foi capturado por Uriel.
Sob o pretexto de poupá-la do trabalho árduo, ele a puxou para sentar-se ao seu lado e a proibiu de mexer um único dedo.
Alice e Quitéria observaram o desenrolar da cena com os ingredientes nas mãos.
Acompanhando a fluidez com que Uriel assumia o preparo dos pratos, as duas transferiram olhares pontiagudos para Valentim e Fábio, que estavam logo ao lado.

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