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Meu Amor, Meu Traidor romance Capítulo 747

— E que alma imprudente assumiu a coragem de trazer você a um ambiente aberto?

— Foi a Helena!

Radiante por reconquistar a tão disputada audiência da mãe amargurada, Heitor não conteve o alvoroço.

Despejou a resposta a plenos pulmões.

Bruna assentiu com leveza. — E o paradeiro dessa mulher irresponsável seria...?

O pirralho inflou as bochechas como um baiacu e trancou os lábios, calado de repente.

Cansada, ela pressionou-o uma segunda vez. A simples insistência resultou num brilho aquoso instantâneo marejando aquelas íris pretas.

— Se nós encontrarmos a Helena... você promete que não vai me despachar pelo correio?

O reservatório das lágrimas transbordou em tempo recorde; um choro dramático ensaiava romper o corredor espelhado.

Desconcertada perante tamanho chantagismo, ela permaneceu em silêncio cético.

A bagagem maternal que desenvolvera ao longo de tanto tempo era a chave para destrinchar aquela artimanha manjada: o moleque atuava que era uma beleza.

— Diga logo se prefere buscar a sua funcionária sozinho ou deseja ser escoltado. Escolha agora ou calo-me para sempre.

A surpresa despontou cintilante, anulando o suposto pranto recém-iniciado.

O cérebro infantil processou rapidamente a vantagem concedida: ter a presença da matriarca era um bônus que não se negava!

O júbilo o preencheu dos pés à cabeça.

— Exijo a sua nobre escolta!

Ávido, ele esticou o braço para apoderar-se dos dedos elegantes da mãe postiçamente hostil.

Com destreza letal, ela driblou o toque carinhoso.

Seus olhos direcionaram-se para o semblante divertido de Paloma.

— Siga sem mim, amiga. Tenho uma entrega de devolução pendente antes de iniciar as compras.

Compreensiva, a outra confirmou com a cabeça.

Ondina acompanhou toda a pantomima mergulhada no veneno da raiva e na piedade sufocante em favor de Heitor.

Seu contrato já havia se dissolvido, mas o abandono descarado da mãe fria chocava qualquer telespectador desavisado perante as declarações ardentes daquele anjinho renegado.

Era, de fato, o cúmulo da tragédia doméstica.

Como um mistério indecifrável da natureza, aquela megera frívola exercia uma atração patética sobre o patriarca engravatado e o herdeirinho abastado dos Lemos, mesmo desferindo espinhos por onde passava.

Encerrou a encenação concedendo um último olhar gélido sobre Ondina, iniciando a jornada ao lado de Heitor em seguida.

Para o pequeno, a existência trêmula da ex-professora era tão visível e valiosa quanto lixo descartável; sua estrela brilhante reluzia apenas sobre Bruna.

Helena balbuciou concordaças assustadas num atropelo de sílabas engasgadas.

E então, a deusa implacável girou o eixo e seguiu seu destino inabalável.

Os dentes apertados de Heitor escancararam-se para lançar um brado sufocado em sua defesa.

No entanto, as correntes invisíveis enredaram a sua garganta.

Somente os apelos exaustos da criada, resgatando a autoridade moribunda, obrigaram-lhe a assumir a partida silenciosa em retirada covarde.

Resolvida a burocracia humana, ela procurou por Paloma no epicentro dos luxos.

Vasculharam os tesouros expostos em mais três grifes e caíram, famintas, num acolhedor e exótico bistrô na praça principal.

Mal acomodaram a bagagem num sofá de veludo carmim, um homem alinhado em linho negro e pesadas correntes de ouro espalhou o charme duvidoso arrastando uma cadeira de encosto curvo adjacente.

A palidez gelou a espinha de Bruna. Ali estava Bonifácio, o mesmo cretino audacioso cruzando a barreira num vilarejo meses atrás.

Que raios ele fazia ali?!

Bonifácio pendurava o sorriso canalha na fisionomia descolorida de Paloma, empalidecendo perante o ataque letal.

A cumplicidade ruidosa daqueles dois não mentia as origens espúrias da relação conturbada que guardavam sob o asfalto.

O choque colidiu as engrenagens mentais de Bruna; fragmentos lógicos implodiram o teto imaginário da sua segurança num eco surdo de pânico e revolta amarga!

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