Josué Rodrigues havia passado um ano fazendo especialização no exterior e acabara de voltar ao Brasil. As famílias Serra e Rodrigues já discutiam, discretamente, a possibilidade de uma união entre eles.
Assim que desembarcou, Josué recebeu uma ligação da pequena “encrenca”.
— Alô, Josué Rodrigues, onde você está?
— Seu irmão acabou de sair do aeroporto.
Yasmin Serra lhe enviou o endereço de um restaurante. Josué pediu ao motorista que o deixasse lá antes de seguir para casa com suas malas.
— Josué Rodrigues, você sabia que o meu avô e o seu querem marcar nosso noivado?
O olhar de Josué se suavizou.
— Sim, eu sei.
— Eu acho essa ideia estranha. Não faz sentido, nós dois nos conhecemos desde pequenos... Como poderíamos casar?
Josué não entendeu.
— Por que não poderíamos?
Yasmin hesitou.
— Porque não combina. Sempre tivemos pequenas brigas desde crianças, como poderíamos nos casar? Além disso, sempre te enxerguei como um irmão mais velho.
Josué soltou um leve riso.
— Não lembro de você me chamar assim muitas vezes.
— Irmão, irmão, pronto, satisfeito?
— Se você não quer o noivado, eu mesmo falo com o meu avô. — Josué optou por ceder primeiro.
Não havia sentido em insistir numa união forçada, não é mesmo?
Yasmin concordou prontamente.
— Obrigada, irmão. O jantar de hoje é por minha conta.
Josué se perdeu em pensamentos. Quando partiu, Yasmin ainda estava nos primeiros anos do ensino médio; agora, ao voltar, ela já estava prestes a se formar na faculdade.
— E aí, arrumou namorado na universidade?
Yasmin abaixou a cabeça.
— Não.
Mas Josué percebeu algo diferente em seu olhar.
Ela não tinha namorado, mas provavelmente já gostava de alguém.

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