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Espelhos Quebrados Não se Reconstroem romance Capítulo 439

Samuel Serra assumiu oficialmente os negócios do grupo da família aos vinte e três anos.

Na verdade, ele começara a se envolver desde os dezesseis, e aos dezoito já havia aumentado em vinte por cento o lucro trimestral da empresa.

Depois, foi estudar no exterior, onde fundou a filial internacional do grupo, dividindo-se entre os estudos e a construção de seu império empresarial.

Samuel parecia uma máquina precisa, capaz de operar vinte e quatro horas sem parar.

Não demonstrava emoções em excesso, tampouco tinha hobbies especiais.

Era como se tivesse nascido apenas para ganhar dinheiro.

Aos vinte e três anos, Samuel Serra retornou ao Brasil.

Sabia que o pai planejava lhe entregar o comando dos negócios no país.

Chegou um dia antes do previsto e, coincidentemente, seu irmão mais velho acompanhava o pai em uma visita a outras filiais.

Alguns primos estavam em casa, mas, achando o ambiente barulhento, Samuel pediu que não avisassem ninguém de sua chegada.

Seu quarto ficava no terceiro andar, onde ninguém o incomodaria.

Samuel Serra acabara de sair do banho quando ouviu, ao longe, uma batida discreta na porta.

Ergueu as sobrancelhas sem pensar muito, apanhou uma toalha e a enrolou no corpo de qualquer jeito, antes de abrir a porta.

Do outro lado, uma garota de rabo de cavalo alto parecia querer se enterrar no chão de tanta timidez.

Era ela?

Laura Rocha, a filha mais velha da família Rocha.

Os olhos claros de Samuel fixaram-se despreocupados na pele iluminada que aparecia na nuca da garota, piscando por um instante.

Os fios claros e desordenados do cabelo dela davam um toque de irreverência à cena.

Samuel sentiu o coração bater forte, sem entender o motivo.

Observou quando as orelhas rosadas da jovem, unidas ao pescoço alvo, ficaram ainda mais vermelhas.

A garota parecia reunir toda a coragem do mundo para dizer:

— Tiago Serra, eu gosto de você.

Os olhos de Samuel escureceram um pouco. Então era o sobrinho que ela procurava.

Engoliu em seco, tentando reprimir a sensação estranha que lhe acometia, e respondeu em tom calmo:

— Você entrou no quarto errado. O quarto do Tiago é no andar de baixo.

Confundir quem receberia a declaração devia ser, para uma menina de dezesseis anos, uma tragédia.

Samuel esforçou-se para soar gentil:

— Laura, ele está lá embaixo.

Mas, por mais suave que fosse sua voz, captou nos olhos amendoados da garota o medo, seguido de frustração, decepção e, por fim, lágrimas de mágoa.

Ela nem ousou olhá-lo novamente. Murmurou um pedido de desculpas e desceu as escadas apressada, quase tropeçando.

Samuel, por um instante, pensou em ir atrás dela, mas logo concluiu que provavelmente ela não queria vê-lo naquele momento, então desistiu.

Permaneceu alguns instantes parado ao lado da cama, observando o vulto apressado da jovem sumindo pelo corredor, pensativo.

Ouviu passos atrás de si.

Capítulo 439 1

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