Muitos educam o irmão mais velho a sempre ceder à irmã mais nova, mas Laura Rocha nunca foi do tipo que simplesmente favorecia Nana.
Ela conhecia demais a personalidade da filha: aquela pequena espertinha, cheia de charme e malícia, era a cara do pai, Samuel Serra.
Já bolo era o contrário: um menino meio desligado, inocente, sempre com aquele ar distraído.
Mesmo assim, a filha era tão adorável que Laura sentia vontade de dar a ela o melhor do mundo inteiro.
Às vezes, percebia-se sendo parcial demais, e logo uma vozinha interior protestava, lembrando-a de não mimar tanto a menina.
Até que, certa manhã, Laura Rocha, com o rosto fechado, descobriu que o pingente de ouro que deixara no banheiro havia sumido.
— Calebe Serra!
bolo tremeu um pouco ao ouvir o chamado. — Mamãe, estou aqui! Mamãe, hoje ganhei uma estrelinha na escola, quer ver?
Aos cinco anos, a criança já era bastante esperta, e ao escutar aquele tom de voz, sabia que algo sério estava para acontecer.
Laura chamou os dois pequenos à sua frente.
— Hoje cedo, quando saí apressada, deixei um pingente de porquinho de ouro na pia do banheiro. Alguém viu?
bolo olhou para o teto, Nana piscou os olhos.
Nana balançou a cabeça. — Mamãe, eu não vi!
bolo hesitou, mexeu os lábios, e depois de muito pensar, murmurou baixinho: — Eu também não vi.
— Fale mais alto! — Laura endureceu o rosto, e sua expressão séria fez com que os dois imediatamente ficassem eretos.
bolo mordeu os lábios, sem coragem de repetir a mentira.
Nana olhou para o irmão, percebendo que hoje alguém ia se dar mal.
— Mamãe, a casa tem câmera! Dá pra ver nas imagens!
Laura percebeu que a pequena já sabia quem tinha pego, e ainda sugeria soluções, deixando-a com vontade de rir, mas manteve o semblante firme.
— Mamãe vai olhar as câmeras. Agora é a chance de confessar!
bolo, então, fez um biquinho e, com os olhos vermelhos, admitiu: — Mamãe, fui eu que peguei.
Às vezes, quando os dois brigavam, Laura não se envolvia muito. Mas quando se tratava de princípios, ela precisava agir.
— Por que mentiu? E mais: isso era meu. Pegar as coisas dos outros sem permissão, como se chama esse ato?
Nana levantou a mão: — Mamãe, chama-se ladrão!

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