Laura Rocha acordou no dia seguinte sentindo uma leve dor nas costas.
Era estranho: parecia que não tinha feito nada, mas, ao mesmo tempo, parecia que tinha feito tudo.
Não era só a lombar que estava dolorida, mas também as mãos.
Ela lançou um olhar ressentido para Samuel Serra.
Vovô Serra, ao perceber, achou que o filho tinha feito algo para incomodar a nora.
— Laura, o Samuel te incomodou? Fala para o pai, que eu resolvo com esse sujeito.
Laura Rocha forçou um sorriso:
— Pai, não foi nada disso. É que ele roncou a noite toda e não me deixou dormir direito.
Samuel Serra deu um meio sorriso, sem se justificar:
— É, foi culpa minha. Hoje não ronco mais, prometo. Errei mesmo, querida.
Vovô Serra achou que aquilo era fácil de resolver:
— Samuel, desde quando você começou a roncar? Fique atento, pode ser problema de coração, não vá acabar igual ao Natan. Laura, se o barulho te incomodar, deixa o Samuel dormir no quarto de hóspedes. Assim você, grávida, consegue descansar melhor.
— Pai! Não precisa disso tudo. Vou procurar um médico hoje mesmo. A partir de hoje não ronco mais.
Laura Rocha segurou o riso:
— Certo, pai, vamos dar mais uma noite para ele se redimir.
Ela percebeu, de repente, o quanto era conveniente ter o sogro como seu aliado.
Depois do café, Samuel Serra levou Laura Rocha de carro até a empresa, e então Flávia Almeida chegou.
Com expressão fechada, sentou-se na velha casa, sentindo um frio na alma.
— Natan Serra, é assim que você me trata?

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