Na sombria prisão.
— 3387, você vai ficar aqui.
Luara Ribeiro, vestindo aquele uniforme cinza e sem vida do presídio, foi empurrada para dentro da cela com força.
Jamais imaginara que um dia acabaria num lugar daqueles.
Sua entrada despertou a atenção das outras detentas.
Pele iluminada, traços delicados — parecia fácil de intimidar.
— E aí, o que foi que você fez pra parar aqui? — perguntou, em tom provocativo, uma mulher de voz rouca, claramente a líder do grupo.
Luara Ribeiro permaneceu em silêncio.
Sentou-se no canto da cela, quieta.
— Ei, mulher, a chefe tá falando contigo! — insistiu outra.
Luara olhou para a sua cama, onde havia uma pilha de coisas que não lhe pertenciam. Mordeu os lábios e perguntou:
— De quem são essas coisas?
A mulher encarou, sem esconder o desdém.
— Minhas. Algum problema?
— Tire daqui.
Luara Ribeiro já estava farta daquele lugar.
Mas, depois de levar três tapas no rosto, ouviu Dona Velmet, uma mulher de olhar sarcástico, retrucar:
— Não vou tirar, e aí? Vai fazer o quê?
— Se tem coragem, me bate, vai.
As lágrimas desciam pelo rosto de Luara Ribeiro. Não conseguia imaginar ter que suportar aqueles cinco anos naquele inferno.
No dia em que as detentas saíram para o trabalho externo, Luara Ribeiro viu alguém que a fez duvidar dos próprios olhos.
— Tia Sara! Sou eu, Luara!
Os olhos de Sara Nascimento, antes opacos e sem vida, brilharam com um lampejo de esperança.
— Luara, o que aconteceu pra você estar aqui?
Afinal, Luara Ribeiro não tinha se casado com Tiago Serra? Como fora acabar atrás das grades?


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