Francisco Pereira ajeitou a gravata, visivelmente irritado:
— Onde está o nosso grande senhor Samuel? Não disse que viria em dez minutos pra me salvar?
Josué Rodrigues soltou um sorriso frio, quase debochado.
O nosso grande senhor Samuel quase foi traído, ainda vai te salvar?
— Estou te perguntando, Josué Rodrigues. Esse seu sorriso quer dizer o quê?
Josué Rodrigues revirou os olhos.
— Vai perguntar pra ele, não pra mim.
— De qualquer forma, o nosso grande senhor Samuel saiu apressado.
Deixa esse azar pro Francisco mesmo!
— Chega, já perdi tempo demais nessa noite. Estou indo. Boa sorte aí com sua primeira experiência de encontro arranjado!
Francisco Pereira ficou olhando para as costas de Josué Rodrigues, calado, e acabou pegando o celular.
— Tu... tu... — O telefone tocou apenas uma vez e já caiu na caixa postal.
Droga! Ele desligou na minha cara!
-
Samuel Serra não tinha tempo algum para atender o telefone.
Jogou o celular no banco de trás do carro e, sem hesitar, inclinou-se sobre Laura Rocha.
Seus lábios, um pouco secos e frios, começaram a roçar lentamente os dela.
No começo, Laura Rocha tentou resistir, mas a intensidade da respiração dele a fez, involuntariamente, entreabrir os lábios fechados.
Esse gesto sutil fez os olhos de Samuel Serra ficarem ainda mais vermelhos, e ele a beijou com mais intensidade.
Quando o celular vibrou na bolsa de Laura Rocha, ela tentou, por reflexo, empurrá-lo para longe.
Mas, no segundo seguinte, a mão quente dele segurou seu queixo, obrigando-a a suportar aquele beijo intenso.
O telefone continuava vibrando, insistente, enquanto a temperatura dentro do carro só aumentava.
Quando o beijo finalmente terminou, Samuel Serra relutou em se afastar.
Seus olhos estavam vermelhos de desejo.
— Atende.
Os lábios de Laura Rocha estavam entreabertos, ela ofegava suavemente, as bochechas coradas. Baixando o olhar, viu que era o chefe ligando.
Ela se recompôs e atendeu.
— Alô, chefe.
— Oi, Laura, já chegou em casa?
Laura Rocha ficou um pouco sem jeito, as bochechas ainda mais vermelhas.
Desligando, Samuel Serra não resistiu e voltou a beijá-la.
Recobrando a consciência, Laura Rocha o empurrou com força.
— Samuel Serra, chega!
Samuel arqueou as sobrancelhas, a voz rouca.
— O que foi?
— E ainda fica assim, depois do que fez?
Laura Rocha explicou:
— Hoje foi um encontro armado pelo chefe, eu nem sabia. Ele já tinha contado pra eles sobre o meu término, então nem tive como explicar direito.
— Aquele Mário, o promotor, eu nunca tinha visto antes, nem sabia que estaria lá.
— E mais? — Samuel Serra brincava com os dedos delicados dela. — Só isso?
Laura Rocha franziu o cenho, pensando. Acho que era só isso mesmo?
De repente, Samuel Serra apertou a mão dela, a voz ficou mais grave.
— E o anel?
Laura Rocha ficou paralisada, sem entender.
— Que anel?

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