— Samuel Serra, pare de olhar, deixe as crianças descansarem um pouco.
Laura Rocha massageava as têmporas, exausta. Aquele homem não tirava os olhos dos dois bebês — dormindo, chorando, mamando... sempre atento. Parecia estar de férias prolongadas, pois nesses dias ela não o vira sequer abrir um laptop.
Especialmente com a filha, Samuel Serra acompanhava cada passo das cuidadoras do berçário, aprendendo a segurar no colo, trocar fraldas, acalentar até adormecer. Era como um pai integralmente dedicado, desses que se orgulham de saber cada detalhe do cuidado diário.
A recuperação de Laura Rocha foi rápida; já no dia seguinte ao parto, ela andava pelo quarto. Cinco dias depois, instalou-se no centro de repouso pós-parto, onde contava com duas cuidadoras experientes. Assim, poderia se entregar ao descanso, sem preocupações.
Samuel Serra limitara as visitas. O próprio centro de repouso também restringia o fluxo de pessoas. Apenas Yasmin Serra fizera uma visita. Os amigos e colegas do escritório de advocacia contentaram-se em enviar felicitações por telefone.
Yasmin Serra, ao ver o tio habilidosamente trocando fraldas dos gêmeos, assistido por uma das cuidadoras que não poupava elogios, ficou dividida entre o espanto e a admiração.
— Diretor Serra, você está indo muito bem! Aprendeu de primeira!
— Não é à toa que é o papai da Nana! Olhe só, o bolo também molhou a fralda, Diretor Serra, quer continuar?
O cenário parecia surreal para Yasmin Serra. Laura Rocha, sorrindo, a puxou para outro cômodo.
— Está chocada, Yaya?
Yasmin assentiu enfaticamente.
— Aquela cuidadora elogiando seu tio... parecia que estava falando com uma criança da escola primária. E ele parece que gosta!
O sorriso satisfeito de Samuel Serra era explícito, deixando Yasmin Serra sem palavras.
— Ele gosta mesmo. Tem um amor enorme pelos dois, tanto pela menina quanto pelo menino.
Laura Rocha também se surpreendera com a dedicação do marido.
— Deixe seu tio cuidar, você precisa descansar e aproveitar esse período de repouso.
— Eu sei, pode deixar.
—
O vovô Serra não cabia em si de tanta felicidade. Dois bisnetos! A alegria era visível.
Quando Yasmin levou a pequena Mimi para visitar o patriarca, o sorriso do velho parecia não ter fim. Pediu ao mordomo para acompanhá-los em um passeio pelo bairro, repleto de vizinhos antigos e famílias tradicionais.
— Pereira, e seu neto? Ainda não casou, não?
— Veja só, um bisneto por parte da filha, agora mais dois netos. Estou feliz? Só um pouquinho, hahahahaha!
O vovô Pereira ficou sem palavras.
— Dourado, seu neto acabou de casar, não? Força aí, logo vem um bisneto. Não é minha culpa se meu caçula e minha neta são tão empenhados. Agora tenho três crianças em casa. Os dois pequenos ficaram, são muito novinhos. A mais velha saiu pra tomar um ar.
O Sr. Dourado apenas sorriu, resignado.
O mordomo tentou não rir.
— Deseja continuar o passeio, senhor?
— Já está bom por hoje. Na volta, quero que entregue doces em todas as casas dos vizinhos, compartilhe nossa felicidade! Não quero que digam que sou pão-duro.
O mordomo só pensava: será que não é provocação demais?
—
Laura Rocha e Yasmin Serra ouviram tudo, mudas.
— Yaya, agora sei de quem Samuel herdou a personalidade.
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