Natan Serra e Flávia Almeida cuidaram de forma discreta dos assuntos após a morte de Luara Ribeiro.
O falecimento de Luara Ribeiro abalou profundamente Flávia Almeida. Afinal, ela criou a menina como se fosse sua própria filha — mesmo sem laços de sangue, a dor era imensa.
Tanto Natan Serra quanto Tiago Serra, que sabiam a verdade, decidiram não revelar nada a ela.
— Sara Nascimento é uma pessoa cruel — lamentou Flávia, com a voz embargada. — Ela perdeu a filha, mas por que teve que arrastar minha Luara junto?
Natan Serra permaneceu em silêncio, apenas acendeu um incenso diante da lápide da filha adotiva.
Em pensamento, ele fez uma prece: Luara, que em sua próxima vida você encontre uma família melhor, que não lhe falte amor, que você não seja tomada pela obsessão e que possa viver com mais leveza.
No rosto de Tiago Serra não se via expressão alguma. Ele havia retornado especialmente para isso e permaneceu longos minutos diante do túmulo de Luara Ribeiro.
A morte da ex-esposa parecia ter apagado os vinte e seis anos anteriores de sua vida, trazendo-o de volta ao ponto inicial.
— Tiago, volte pra casa comigo e sua mãe — sugeriu Flávia Almeida. Desde o divórcio de Natan, “casa” para ela significava a casa dos pais.
Tiago Serra balançou a cabeça.
— Mãe, se você não estiver feliz aqui, pode ir comigo para o exterior.
Flávia Almeida hesitou, balançada pela proposta.
— Vou pensar no assunto.
Tiago Serra e o pai tornaram-se ainda mais silenciosos do que antes.
Tiago não voltou para a antiga casa. Alegando que havia muitos compromissos, embarcou diretamente para outro país. Ninguém sabia ao certo o que se passava em sua cabeça.
No presídio, ao receber a notícia da morte de Luara Ribeiro, Mário Goulart enlouqueceu.
Descontrolado, começou a bater no próprio rosto, repetindo:
— Foi tudo culpa sua! Tudo culpa sua!
–
Na reta final da gravidez, Laura Rocha sentia-se cada vez mais desconfortável e logo entrou em licença-maternidade, permanecendo em casa.
Samuel Serra também transferiu todo o trabalho para o lar.
Às vezes, ele a acompanhava em caminhadas, massageava suas pernas quando sentia câimbras.
Nas noites em que Laura Rocha não conseguia dormir, Samuel Serra recorria a um livro de histórias, aconchegando-a em seus braços e embalando-a com voz suave, como se fosse uma criança.
Na semana prevista para o parto, Laura Rocha acordou mais uma vez no meio da noite.
— O que foi? — perguntou Samuel.
Laura balançou a cabeça.
— Preciso ir ao banheiro.


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