Laura Rocha sabia que encontraria os amigos de Samuel Serra e, para não o envergonhar, escolheu vestir um longo vestido azul, elegante e discreto.
O veludo azul tornava sua pele ainda mais iluminada. No rosto limpo, usou apenas um batom discreto, mas suficiente para atrair todos os olhares.
O constrangimento, porém, veio quando sentiu que talvez seu ciclo estivesse para começar. Pediu então que Samuel Serra entrasse primeiro, enquanto ela se dirigiu ao banheiro.
Mal sentou para verificar suas roupas, ouviu o som da porta sendo trancada do lado de fora.
Franziu a testa, imediatamente percebendo que havia algo errado.
Quando tentou girar a maçaneta, percebeu que a porta do reservado não abria mais.
— Quem está aí fora? — Laura Rocha perguntou, a voz firme.
Ninguém respondeu, apenas ruídos de passos apressados podiam ser ouvidos.
Ao tentar pegar o celular, percebeu que sua bolsa estava com Samuel Serra, e o telefone, dentro dela.
Examinou a altura da divisória, pensando em tentar escalar pelo vaso para sair dali.
De repente, um balde de água fria caiu sobre ela, molhando-a da cabeça aos pés.
Logo depois, ouviu passos correndo para longe.
Laura Rocha, dos cabelos ao vestido, ficou encharcada, sentindo um frio que lhe atingiu até os ossos.
Sabia que a pessoa responsável já havia ido embora.
Em outro salão, Francisco Pereira avistou Samuel Serra:
— Nosso grande senhor Samuel, até que enfim você chegou!
— Venha, por ter se atrasado, beba uma taça como punição!
Samuel Serra arqueou levemente uma sobrancelha e balançou a pequena bolsa brilhante nas mãos.
— Desculpe, hoje não posso beber.
Francisco Pereira franziu o cenho.
— Nosso grande senhor Samuel, assim não tem graça. Combinamos que não traria namorada, lembra?
Samuel Serra riu, desdenhoso, e respondeu com calma:
— Você disse para não trazer namorada, mas não falou nada sobre esposa.
Francisco Pereira praguejou em silêncio, mas já que estavam ali, não poderia simplesmente mandar a “cunhada” embora.
— E onde está sua esposa?
Samuel Serra consultou o relógio. Já haviam se passado mais de dez minutos.
Deixou a bolsa sobre a mesa, ergueu-se e saiu:
— Vou ver como ela está.
Laura Rocha girou a trava, e ao ver o rosto conhecido, não pensou duas vezes antes de se jogar em seus braços.
— Por que demorou tanto? Eu chamei por muito tempo e ninguém veio! — A voz manhosa soou como um leve protesto, quase um carinho.
Samuel Serra sentiu um aperto no peito.
Engoliu em seco:
— Me desculpe, cheguei tarde.
Apoiou levemente as mãos nos ombros dela e a examinou de cima a baixo.
— Quem fez isso?
Laura Rocha balançou a cabeça:
— Não sei, a pessoa não disse nada.
Olhou para o vestido e os cabelos encharcados.
— O que faço agora?
Não poderia encontrar os amigos dele naquele estado.
Samuel Serra afastou delicadamente os fios molhados do rosto dela:
— Vou pedir para trazerem roupas limpas. Você precisa se lavar, senão vai acabar resfriada.

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