— Deixa eu ver — disse Gualter.
— Tia, avó Felícia — chamou Afonso, ignorando Gualter completamente e caminhando direto para dentro.
A mão de Gualter parou no ar. Ele virou o rosto para Naiara e disse de propósito:
— Pelo visto o machucado não é pequeno, a gaze está bem grossa.
Belmira arrumou um lugar à mesa para Afonso, colocando os talheres logo ao lado de Gualter. Foi então que ela também notou o curativo.
— Afonso, meu filho, como você machucou a mão?
Afonso repetiu a mesma resposta monossilábica:
— Arranhão.
Felícia se apressou em recebê-lo com entusiasmo.
— Sr. Afonso! Sente-se aqui, que bom que veio! Achei que não apareceria, já faz tanto tempo. Antes você dizia que viria comer de graça aqui sempre que pudesse, mas ultimamente sumiu.
— Muito trabalho — justificou Afonso.
— Por mais que tenha trabalho, tem que arrumar tempo para comer, não é? Venha mais vezes, a Natália ficou super decepcionada por não te ver hoje mais cedo.
— Farei o possível.
Felícia sentiu que havia um clima estranho, mas não tocou no assunto.
— Sente-se, vamos comer.
Gualter pegou seus próprios talheres e trocou de lugar com Afonso.
— Senta aqui no meu lugar, eu sento ao lado da Natália.
Natália abriu a boca para protestar, mas Gualter levantou uma sobrancelha para ela. A menininha esperta entendeu o recado na mesma hora.
— Isso! Eu quero sentar com o tio Gualter.
Afonso não disse nada e apenas sentou-se no lugar cedido.
Durante a refeição, Afonso quase não tocou nos talheres.
Belmira ficou verdadeiramente preocupada.
— Naiara, minha filha, a mão do Afonso está ruim, ajuda ele.
Naiara, que mordiscava os pauzinhos, congelou.
Ajudar?
Como assim ajudar?
Felícia, achando que a hesitação de Naiara era recusa, deu-lhe uma pequena bronca:
— Menina, não seja teimosa! O Sr. Afonso é seu amigo e seu chefe. Não pode fazer um favorzinho?
Não era isso...
E era verdade, ele parecia um pouco mais magro.
Será que ele não vinha comendo direito nesses dias?
— Lembrei de um ditado agora — soltou Gualter de repente. — Não sei se serve para o King.
Naiara sabia perfeitamente onde ele queria chegar. Abriu a boca para cortá-lo, mas foi tarde demais.
— Dizem que o amor consome a alma e definha o corpo, mas quem ama não se arrepende.
Afonso abaixou o olhar, o rosto uma máscara de gelo.
— Não serve.
— Tá bom, então — provocou Gualter, pegando um pouco de comida com os pauzinhos. — Pelo visto, só resta a mim alimentar você. Vem, abre a boca.
Naiara não aguentou mais assistir àquela palhaçada.
Aquele idiota adorava brincar com o perigo, testando os limites de Afonso, como se não tivesse medo de levar uma surra de verdade.
— Deixa que eu ajudo — disse Naiara.
Todos na mesa olharam para ela instantaneamente.
Naiara pigarreou.
— O chefe está machucado, é meu dever como funcionária cuidar dele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...