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Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê romance Capítulo 690

Naiara pegou os pauzinhos à frente de Afonso.

— O que você quer comer?

Os lábios finos do homem estavam comprimidos. Seus olhos negros pareciam um lago profundo na calada da noite, impossível de decifrar.

— Obrigado.

Obrigado?

Naiara paralisou, confusa.

— Eu posso fazer isso sozinho.

Não apenas Naiara, mas todos à mesa ficaram como estátuas, encarando os dois em absoluto silêncio.

O ar pareceu congelar, como se alguém tivesse apertado o botão de pausa em um filme.

Naquele silêncio constrangedor e mórbido, a voz gélida e impiedosa de Afonso quebrou a tensão.

— Não quero que as pessoas entendam errado.

Todos entenderam perfeitamente o significado implícito daquela frase.

Belmira, tentando salvar a dignidade de Naiara, decidiu repreender Afonso:

— Afonso, o que deu em você? A Naiara só quis ser gentil e ajudar.

A voz de Afonso estava completamente desprovida de qualquer calor humano.

— Eu não preciso. Se estou sem a mão direita, ainda tenho a esquerda. Não preciso usar um ferimento ridículo como este para mendigar compaixão de ninguém.

Belmira rebateu, atônita:

— Que modos são esses, menino? Todos estão preocupados com você, que história de compaixão é essa? Afonso, o que está acontecendo com você?

Gualter abriu a boca para intervir, mas Afonso o calou com um simples e letal olhar de aviso.

— De agora em diante, não façam mais essas brincadeiras envolvendo a mim e a Sra. Naiara, para evitar... mal-entendidos.

Mal-entendidos?

Sra. Naiara?

Há.

O coração de Naiara sofreu um golpe agudo de dor.

Essa sensação era, de fato...

Bem complexa, para dizer o mínimo.

Não era exatamente isso que ela queria? Manter distância, ser apenas amigos, sem envolver sentimentos, sem tocar no amor. Apenas uma convivência puramente pragmática.

Não era isso que ela havia pedido?

Agora que tinha conseguido, por que estava triste?

Por que estava doendo tanto?!

Naiara esmagou a amargura e a palpitação dolorosa que subiam do peito, forçando os lábios a se erguerem em um sorriso vazio e desalmado.

— Então por que está com raiva?

— Raiva? — Naiara soltou uma risada amarga. — Por acaso eu pareço estar com raiva?

Afonso ficou em silêncio por alguns segundos antes de prosseguir:

— Além de vir ver a Natália hoje, tenho um assunto de trabalho para tratar com você.

Naiara endureceu a postura.

— Sr. Afonso, agora é o meu horário pessoal. Assuntos da empresa nós tratamos no meu horário de expediente!

— A partir de agora, não terei muito tempo para ficar na empresa. Os negócios, por enquanto, ficarão nas suas mãos.

Naiara travou, virando-se lentamente.

— O que você quer dizer com isso?

— O sentido literal das palavras.

— Você vai embora?

Afonso permaneceu sentado, inabalável, sem ao menos erguer a cabeça para encará-la.

— Você está imaginando coisas. Apenas tenho outros assuntos para resolver e estarei ocupado. Então, precisarei incomodar a Sra. Naiara para que cuide da empresa.

Ele pausou por alguns segundos, antes de deferir o golpe final:

— Ao contrário da Sra. Naiara, eu não tenho o costume de abandonar a empresa assim, por qualquer motivo fútil, muito menos a vontade de fugir de Rio Belo.

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