A menção da doação fez Naiara lembrar de algo curioso.
— Você e o seu pai são realmente parecidos.
— Por que você lembrou do meu pai de repente?
Naiara sorriu.
— Porque, um tempo atrás, ele também doou vinte milhões para o Lar da Esperança em meu nome.
Afonso pareceu surpreso.
— Quando foi isso? Como eu não fiquei sabendo de nada?
— Foi no dia do aniversário do Tio Henrique. Acho que ele queria me compensar, então me ofereceu um cheque de vinte milhões. Eu recusei e falei de propósito que era melhor ele doar ao Lar da Esperança. E não é que ele doou mesmo? E ainda colocou no meu nome.
Isso resultou até em ligações da direção da instituição para agradecer pessoalmente, além de emissoras de TV que queriam entrevistá-la.
Mas ela havia recusado todas as entrevistas.
Afinal, o dinheiro não saíra do próprio bolso; ela não aceitaria levar o crédito por fazer caridade com o dinheiro alheio.
Afonso começou a rir.
— O meu pai, no fundo, é um homem muito bom.
— Eu sei — concordou Naiara. — Ele só carrega fardos pesados demais e por isso foi tão rígido com você. Mas ele é um bom pai. Se não fosse, não teria cedido tão facilmente para nos deixar ficar juntos.
E daí que ela estava carregando o herdeiro da família Xavier?
O Sr. Henrique poderia muito bem ter ficado com a criança e descartado a mãe.
Mas ele não fez isso. E só por isso, Naiara já sabia que, por baixo da casca, ele era apenas um senhorzinho bastante justo e até adorável.
Não demorou muito para que os nomes deles fossem chamados no alto-falante.
Afonso guiou Naiara, que ainda tremia de leve, até o balcão de atendimento.
A funcionária do cartório os olhou de cima a baixo, exibindo um sorriso enorme.
— Nossa, vocês dois formam um casal lindíssimo. Trouxeram todos os documentos?
Afonso abriu uma pasta e espalhou os papéis e certidões sobre o balcão.
— Está tudo aqui.
A funcionária checou e registrou tudo rapidamente no sistema antes de deslizar duas vias de papel para eles.
— Podem assinar aqui.
A mão de Naiara tremia sutilmente enquanto segurava a caneta.
Já Afonso rabiscou a própria assinatura com tanta rapidez e firmeza que parecia temer que a funcionária mudasse de ideia.
Naiara estava emocionada. Mas, acima de tudo, tocada.
Tocada por aquele homem — o sonho inalcançável de tantas mulheres — estar, a partir daquele exato momento, se tornando oficialmente seu marido.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...