Naiara deu um empurrãozinho de leve nele.
— Vai logo lá na cozinha ver se a Felícia e as outras precisam de ajuda. Não aja como visita, esta também é a sua casa.
Gualter arregalou as mangas da camisa e marchou para a cozinha.
Logo em seguida, risadas alegres começaram a ecoar de lá.
Naiara não resistiu e abriu um sorriso. Gualter não era um homem de poucas palavras por natureza; ele apenas havia passado tantos anos vivendo uma vida amarga e solitária que já não sabia mais como se comunicar de forma leve com as pessoas. Agora, cercado de afeto familiar, era visível o quanto ele valorizava aquilo.
Para celebrar a alta de Natália, Felícia e Belmira realmente colocaram em prática todas as suas habilidades culinárias.
A mesa farta, cheia de pratos deliciosos, era de encher os olhos. Tudo aquilo era um esforço para fazer Natália sentir o calor e o aconchego de um lar verdadeiro.
Natália olhava para a mesa engolindo seco de tanta vontade.
— Uau! Avó Felícia, avó Belmira, vocês são incríveis! Sabem fazer tanta comida gostosa!
Belmira tirava o avental com um sorriso.
— Quase tudo foi a sua avó Felícia quem fez. Eu só ajudei um pouquinho.
Felícia riu sem jeito.
— Imagina, eu que fui só a ajudante.
— As duas avós são incríveis, dá um empate! Vocês são as melhores avós do mundo inteiro! — decretou Natália.
A frase doce fez as duas mulheres rirem de orelha a orelha.
Naiara afagou a cabecinha da menina.
— Vá lavar as mãos. É hora de comer.
Natália virou-se e correu para o banheiro.
A campainha tocou novamente.
— Deve ser o bolo que encomendei. Vou lá abrir — disse Naiara. Como era o dia da alta de Natália, uma espécie de dia de renascimento, Naiara fizera questão de encomendar um bolo especial.
Gualter a segurou pelos ombros.
— Fica aí sentada, eu atendo.
Instantes depois, a voz de Gualter, carregada de ironia, soou do corredor:
— Essa confeitaria é das boas, hein? Até mandou um entregador bonitão para trazer o bolo.
Bonitão?
Além de Afonso, Gualter nunca havia elogiado a beleza de homem nenhum.
Curiosa, Naiara se virou.
E ali estava ele.
Era o próprio Afonso.
Naiara ficou paralisada por vários segundos.
Afonso estendeu o bolo para Gualter.
— Tio!
Afonso a segurou com as duas mãos.
— O tio teve um imprevisto e se atrasou, por isso não fui te buscar no hospital. O tio pede desculpas, está bem?
A menina fez bico, choramingando.
— Você me prometeu e não cumpriu! Fiquei muito triste lá no hospital, e até deixei a tia brava por causa disso.
Afonso tirou um envelope vermelho do bolso do casaco.
— Um presente pra você.
Pela espessura do envelope, o valor ali dentro não era pequeno.
Mas os olhos de Naiara não estavam no envelope. O olhar dela estava cravado na faixa espessa de gaze enrolada ao redor da mão direita de Afonso.
Não era à toa que, desde que chegara, ele vinha tentando esconder a mão direita nas costas.
Naiara abriu a boca para perguntar, mas as palavras engasgaram. Acabou se calando.
Gualter olhou de esguelha para ela, notando a reação, e disparou para Afonso:
— King, o que aconteceu com a sua mão?
Afonso respondeu de maneira evasiva e displicente.
— Não é nada. Um arranhão sem querer.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...