Naiara comprimiu os lábios.
— Nada.
— Você não tem ninguém de quem goste?
O homem ficou em silêncio por longos segundos, aguardando a resposta.
— E então? Me diga.
Ela baixou os olhos, escondendo a melancolia em seu olhar.
— Não.
Ao seu lado, os lábios dele se apertaram em uma linha fina, e ele não disse mais nenhuma palavra.
E assim permaneceram, sentados lado a lado num silêncio absoluto.
Até que Gualter e José finalmente se aproximaram.
— Patrão.
José estava ofegante.
Naiara olhou por cima dos ombros deles.
— Onde está a Srta. Isabella?
— Ficou lá atrás — respondeu José.
— Vocês não subiram com ela?
— Não.
Gualter largou-se num banco, exausto.
— O ritmo delas é lento demais. Eu e o José tivemos que adiantar o passo.
Naiara pensou, indignada: "Não foi você quem inventou de ir junto para fazer companhia?!"
Gualter examinou a área onde os pedidos eram pendurados.
— Já fizeram as promessas nas árvores?
— Não.
— E por que não? Dizem que dá sorte mesmo, vão lá!
Quando Naiara abriu a boca para responder, Afonso cortou-a em um tom distante e insípido:
— Ela não tem ninguém de quem goste.
Gualter piscou, confuso. Trocou um olhar com José e preferiu calar a boca.
Evidentemente, o clima entre os dois estava péssimo.
Meia hora depois, Isabella finalmente alcançou o topo.
Com o calor da subida, havia tirado a jaqueta e amarrado na cintura, exibindo um top de ioga preto ajustado que delineava perfeitamente a sua silhueta impecável.
— Afonso, estou morta de cansaço.
A voz ofegante soava dócil e adocicada, capaz de amolecer os ossos de qualquer homem que a ouvisse.
Afonso segurava uma garrafa de água, da qual já bebera metade.
Sem cerimônias, Isabella tomou-a da mão dele.
— Morrendo de sede.
Quando ela estava prestes a abrir, Afonso a pegou de volta.
— Vou comprar uma garrafa fechada para você.
— Tudo bem, eu não ligo de dividir.
Gualter estendeu-lhe uma garrafa intocada.
— Sim.
Contente, a mulher correu e comprou duas.
Ao retornar, entregou uma delas a ele.
Bem diante de seus olhos, ela escreveu as letras de "Afonso" no tecido.
Ele lançou um olhar apático para o nome.
— Você tem certeza de que gosta de mim?
A mão de Isabella paralisou.
— De onde tirou essa pergunta agora?
— Você não deveria escrever o nome da pessoa que ama?
— Você é o meu noivo — respondeu ela, o sorriso murchando um pouco. — De quem mais eu escreveria?
O homem ficou em silêncio por um instante, um mar de emoções indecifráveis em seus olhos escuros.
— Se você não quer se sujeitar a uma vida de aparências, nós podemos cancelar esse noivado.
Prestes a caminhar para amarrar a fita na árvore, Isabella recuou, alarmada.
— Afonso, o que deu em você?
Ele soltou um suspiro quase imperceptível.
— Apenas penso que um casamento não deve ser feito de conveniências vazias.
— Eu não encaro isso como conveniência.
— Desde o princípio, não foi por amor que ficamos noivos.
— Eu sei disso. Mas esse noivado já é um fato consumado e inalterável. Afonso... — Isabella fez uma pausa. — O nosso casamento não é apenas sobre nós dois. Trata-se do futuro das nossas famílias. Não podemos simplesmente fugir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...