Ao notar que ele procurava ativamente por algo com os olhos, Naiara concluiu que buscava Isabella e comentou:
— Ela deve demorar mais um pouco para chegar. Teremos que esperar.
Só então Afonso voltou o olhar para ela.
— Ela quem?
— Você não estava procurando a sua noiva?
— Eu estava procurando o banheiro.
Naiara quase mordeu a própria língua.
Que mal-entendido.
Absolutamente constrangedor!
— Está com o celular aí? — indagou ele.
Confusa com a pergunta repentina, ela respondeu:
— Estou. Por quê?
— Ótimo. Só para garantir que não vai se perder e sumir do mapa.
Naiara perdeu a voz.
Aquele homem!
Como ele conseguia ter uma memória tão boa para essas coisas?
Afonso estendeu-lhe a mochila.
— Ainda bem que não está pesada. Segura para mim, vou ali ao banheiro. Se não for pedir muito, fique parada exatamente onde está.
Ela abriu a boca para retrucar:
— Você...
— Claro, se quiser ir amarrar uma fita de pedido nas árvores, fique à vontade. Dizem que atrai um bom casamento. Não perca a chance.
As palavras de Naiara morreram na garganta.
O que estava acontecendo com aquele homem hoje? Por que cada frase parecia vir carregada de espinhos?
Assim que Naiara achou um canto para se sentar, um rapaz se aproximou.
— Olá.
Ela ergueu os olhos.
Era um jovem de pele clara, usando óculos. Tinha um ar refinado.
Mas, por experiência própria, quanto mais o sujeito parecia um cavalheiro inofensivo, maior a chance de ser um verdadeiro canalha.
— Só de olhar para você, entendi o que é amor à primeira vista. A energia deste lugar é mesmo poderosa. Acabei de encontrar a mulher dos meus sonhos.
Naiara deu um meio sorriso cínico.
— Você costuma ser sempre tão direto?
— E não é melhor ir direto ao ponto? Me passa seu número?
— Para quê?
— Para, quem sabe, sairmos para jantar. Se você aceitar, é claro.
— Claro.
— Quer reservar? Posso te conseguir a mesa agora mesmo. Mas existe uma consumação mínima. O seu dinheiro dá?
"O seu dinheiro dá?"
Naiara quase caiu na gargalhada.
O rosto do rapaz foi do vermelho ao branco e, depois de muito gaguejar, conseguiu dizer:
— Com licença.
E saiu de fininho, humilhado.
— Você é bem popular — pontuou Afonso.
Naiara ergueu o queixo, apontando para algumas garotas que espiavam de longe, claramente interessadas nele.
— Você também não fica atrás.
Os dois pareciam travar um duelo silencioso, mantendo-se mudos de propósito.
— Não foi fazer seu pedido de casamento nas árvores? — Afonso quebrou o gelo.
— Eu não acredito nessas coisas.
— Devia tentar. Escreva o nome da pessoa que você ama na fita e amarre na árvore. Quem sabe o desejo não se realiza?
Sem pensar muito, ela respondeu:
— Eu não tenho o menor interesse nisso. E de qualquer forma, o nome de quem eu colocaria lá? Eu não tenho...
Ao levantar os olhos, percebeu que a expressão do homem havia escurecido repentamente.
— Você não tem o quê?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Emprestar o Meu Marido pra Ter um Bebê
Como consigo os capítulos completos?...
como consigo ler todos os capitulos...